Aqueles que devem ser lembrados | Museu de Arte Sacra de São Paulo

O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, dando sequência às mostras comemorativas do seu Jubileu de Ouro – a ser completado em Junho de 2020 – exibe, com a SOCIARTE, a coletiva de pinturas “Aqueles que devem ser lembrados”, com curadoria de Ruth Sprung Tarasantchi. Como o próprio título adianta, a mostra, composta por 85 obras, é pensada no sentido de destacar a produção de artistas brasileiros pouco conhecidos, quais sejam os cariocas Guttman Bicho, Manoel Faria e Aydea Santiago, bem como os paulistas Jurandir Ubirajara Campos e Edgard Oehlmeyer, todos raramente vistos em leilões e praticamente nunca expostos em museus.

O que se convencionou, sobretudo a partir do sec. XIX, classificar como obras fundamentais pelo menos da cultura ocidental, em todas as linguagens artísticas praticadas até hoje, se concentrou na seleção mínima de alguns nomes que mereceram e merecem sua justa consagração. Contudo, nessa longuíssima trajetória, não são poucos os artistas que, apesar de sua alta qualidade não obtiveram a justa avaliação dos especialistas e do público consumidor de arte”, comenta o diretor executivo do MAS-SP, José Carlos Marçal de Barros. Assim, a nova mostra do MAS/SP busca preencher este hiato na pintura brasileira do século XX, possibilitando que o público conheça e aprecie as obras de alguns desses nomes. “Resgata-se, assim, não apenas os que foram esquecidos, mas principalmente os que merecem para sempre ser lembrados”, completa o diretor.

Entre as obras expostas, nas paisagens, especialmente povoadas de árvores nas quais usava tons ocres e castanhos escuros, Edgar Oehlmeyer apresenta suas temáticas preferidas, além de interiores de igrejas com luzes e sombras intensas, e naturezas mortas – estas também com fundos escuros e trechos claros. “Nestas naturezas mortas sentimos a influência de Pedro Alexandrino, de quem não foi aluno, mas tinha facilidade de ver nas coleções particulares. Usou a composição do grande pintor, as pinceladas soltas, até a faca inclinada na base que dirige o nosso olhar para o fundo do quadro. Flores é outra temática a que se dedicou, e nesta também encontramos os mesmos coloridos”, explica Ruth Sprung Tarasantchi.

Aqueles que devem ser lembrados” busca mostrar ao público que muitos artistas merecem ser resgatados. “Eles fazem parte de um segundo grupo, já que mostramos anteriormente Georgina de Albuquerque, Clodomiro Amazonas, lançamos Monteiro Lobato e o escultor Leopoldo e Silva todos de Taubaté, e que tiveram sucesso”, comenta a curadora, sobre a exposição “Artistas de Taubaté”, anteriormente apresentada pelo MAS/SP, em 2018.

Nos dizeres do colecionador José Oswaldo Paula Santos: “No Rio de Janeiro, Manoel Faria e Guttmann Bicho despontaram como grandes paisagistas, sendo que este último também nos deixou excelentes retratos. Haydéa Santiago, mulher de Manoel Santiago, também foi excepcional e sua pintura marcante nos mais variados temas. Em São Paulo, Jurandir Ubirajara Campos, o J. U. Campos, genro de Monteiro Lobato, e Edgard Oehlmeyer despontaram em suas épocas. Jurandir brilhou com suas figuras, flores e naturezas mortas. Edgard Oehlmeyer, sempre usando as mesmas cores, e grande admirador de Rembrandt e José Malhoa, nos deixou obras inesquecíveis. Todos eles ‘não devem ser esquecidos’, porque apesar de não terem a valorização merecida, sempre serão indiscutíveis expoentes de seu trabalho”.

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