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Outra Margem - Antoni Muntadas

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Por Adolfo Montejo Navas

 Antoni Muntadas (Barcelona, 1942) deve ser atualmente um dos artistas mais viajantes e internacionais da cena da arte contemporânea, em virtude de uma prática e poética artística fundamentada nas conexões local-global. A sua obra transita paralelamente aos tempos em que vivemos, atenta, sobretudo, à sua natureza informativa, comunicacional e política, a estas afinadas conexões. Os diferentes projetos que este artista assina, muitos configurados depois de longas investigações, também são revisáveis como obras abertas que permitem desdobramentos inéditos. Eles abordam, preferentemente, a pesquisa informativa em espaço público/privado, as fronteiras sociocomunicacionais, a importância dos contextos e da recepção, a desconstrução das imagens ou seus mecanismos invisíveis.

Esta variedade de focalizações alimenta a mudança de registros e objetivos, de configuração espacial e conceitual, dependendo sempre do contexto estudado e escolhido. Neste sentido, são muitas as perspectivas e os meios são reconhecidamente híbridos, plurais, convergentes: fotografia, vídeo, publicações, internet, instalações multimídia. Além de ministrar periodicamente seminários em numerosas instituições de arte e cultura. No caso do Brasil, são frequentes as suas visitas e trabalhos, assim como diversas as sintonias/amizades artísticas.

A defesa de uma subjetividade crítica perante a presumível objetividade dos meios de comunicação ou a lucidez de análise das nuances abissais entre o mundo da arte e seu sistema fazem de sua obra e discurso indispensáveis para não se cair mais em uma noção ingênua da história e da cultura do último terço de século.

Muntadas acaba de receber o prestigioso premio Velázquez de Artes Plásticas da Espanha, pouco depois desta entrevista realizada em maio de 2009 (Rio-Nova Iorque). Nela, o artista reflete sobre questões ligadas a seu trabalho e nosso tempo de forma indissociável, e ainda sobre alguns conceitos operativos caros de sua poética (media landscape, heteroespaços, hibridismo, ecologia da imagem), nos quais sempre se potencializa a presença do público, da comunicação. Como diz um lema seu: “a percepção requer envolvimento”.

omargem1Arte Vida, 1974

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 Vamos começar pela palavra projeto. É a que melhor define o seu trabalho, porque são pesquisas e estudos em várias áreas, preparação e planejamento de muitas coisas, e também porque demora muitos anos, não?

 Das palavras “obra” e principalmente “peças”, mantenho distância, prefiro usar a palavra projeto. De certo modo, a forma de trabalhar em um projeto pode vir do campo da arquitetura, em que se podem ver mais claramente as etapas, ou do cinema, pois parte-se de uma ideia e daí já se desenvolve um processo, que muitas vezes é longo – no meu caso –, até que se realiza um trabalho. O que acontece é que esses projetos deixam, muitas vezes, situações abertas, em que há continuidade, revisão ou reedição. Têm algo de trabalho não fechado, o que, por outro lado, me dá a possibilidade de que, em cada sujeito de análise, em cada projeto, existam características especiais definidas no próprio projeto. Eu nunca começo um projeto com o meio definido. A definição acontece durante o próprio processo de busca, de pesquisa, que leva à determinação do meio, isto é, se vai ser uma série fotográfica, um vídeo, uma instalação, ou se vai ser um programa para televisão ou para internet, um livro ou uma publicação. Então, para mim, projeto e processo de trabalho caminham juntos, e há um tempo de desenvolvimento orgânico. Eu acho que os projetos sempre começam por curiosidade e por querer saber mais sobre algo. No momento em que você dedica um tempo para ler, ver, explorar, pensar sobre algo, existe a possibilidade de que você chegue a entender melhor as coisas.

 



 

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