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Notícias de Leda Catunda

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Notícias de Leda Catunda
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Por Fernanda Lopes

 No meio da conversa de quase uma hora em seu ateliê, Leda Catunda me pergunta: “Posso te dar uma sugestão? Você pode colocar o título dessa matéria de ‘Leda Catunda, a ansiosa’”. A brincadeira da artista de conversa fácil, fala direta e opiniões fortes tem um fundo de verdade. A partir deste mês, ela apresenta na Estação Pinacoteca, em São Paulo, um grande panorama da sua produção. A maquete na mesa de centro do seu ateliê dá uma prévia do que vai ser a mostra, que reúne cerca de sessenta trabalhos realizados entre 1984 e 2009 com curadoria de Ivo Mesquita.

“Eu deveria estar comemorando, mas estou ansiosa para ver como esses trabalhos vão se comportar juntos e o que eu vou fazer a partir de agora”, explica Leda, um dos principais nomes da geração de jovens artistas que apareceram no cenário brasileiro dos anos 1980 resgatando a pintura deixada de lado pelos artistas da década anterior. “Se essa é a metade da minha produção, minha preocupação hoje é com que a próxima metade possa reforçar os depoimentos e as intenções que estão presentes na primeira. Tenho uma preocupação com a totalidade do discurso”, completa.

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Todo pessoal, 2006  Foto: Eduardo Ortega Cortesia Galeria Fortes Vilaça

A primeira metade começou a ser construída no início da década de 1980. Em 1983, aos vinte e poucos anos, quando ainda estava cursando a faculdade de Artes Plásticas na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, Leda foi convidada a participar de sua primeira exposição coletiva. Pintura como Meio, realizada no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, com curadoria de Aracy Amaral, reuniu Leda, Ciro Cozzolino, Sérgio Niculitcheff, Ana Maria Tavares e Sérgio Romagnolo, entre outros artistas.

Já naquele momento, ela trabalhava com o que chama de “pinturas-objetos”, por serem pinturas muito diferentes das convencionais. Ao invés de serem telas com a superfície coberta de tinta e presas a um chassi, seus trabalhos são estruturados diretamente na parede e, além de tinta, também se utilizam de tecidos, como voile, algodão estampado, jeans, veludo e plástico. A exposição ressalta como essas são características que acompanham a produção de Leda Catunda até hoje. Cada uma das três salas reúne trabalhos agrupados não por coincidência cronológica e sim por temas. Dessa maneira, paisagens, colagens e obras feitas pela junção de pedaços, mesmo que realizados com mais de vinte anos de diferença entre si, convivem na mesma sala, lado a lado.

 



 

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