| Índice do Artigo |
|---|
| Atualidades - Um olhar sobre a Biennale |
| Página 2 |
| Todas as Páginas |

Por Angélica de Moraes
Este ano, a Bienal de Veneza inclui número recorde de países: são 77 representações oficiais, espalhadas muito além dos Giardini, sede dos principais pavilhões nacionais, para envolver o centro histórico da cidade e os confins do Arsenale, o outro local de visitação básica. Há nítida sintonia entre o tema escolhido pelo curador Daniel Birnbaum – Fare Mondi (“Fazendo Mundos”) – e os objetivos de manutenção da saúde financeira que Paolo Baratta, o presidente da Fundação Bienal, garante para a instituição que administra o evento.
Isto é ruim? Depende de como os aspectos curatoriais navegam entre os icebergs das contingências da diplomacia cultural e da contabilidade da Fundação. Há quem demonize as representações oficiais. Mas há também quem demonize a fome dos curadores pela conquista de território. Ou a mão de ferro da tesouraria. Certamente que boas representações oficiais em uma bienal exigem egos curatoriais menos inflados. Porque, com frequência, elas trazem ao evento atrações que rivalizam em qualidade com o elenco escolhido para a curadoria principal. É o que acontece nesta 53ª Bienal de Veneza, com diversas mostras excelentes situadas em pavilhões oficiais. Algumas delas estão nos pavilhões da Holanda (Fiona Tan), Grã-Bretanha (Steve McQueen), Polônia (Krzystof Wodiczko), Grécia (Lucas Samaras), Estados Unidos (Bruce Nauman), Canadá (Mark Lewis) e Austrália (Shaun Gladwell).
Há anos, aliás, a Bienal veneziana não trazia tantas representações oficiais de qualidade. Felizmente, o sueco Daniel Birnbaum demonstra confiança em suas competências e não dá sinal de incomodar-se com essas fortes presenças. Parece entender que elas fortalecem a Bienal como um todo e, assim, acabam fortalecendo também o seu trabalho autoral na concepção da mostra principal, a que mais demanda recursos.

Héctor Zamora, Enxame de Zepelins, 2009
Durante a entrevista coletiva da press preview, em junho, Birnbaum estava muito à vontade ao lado de Paolo Baratta e negou qualquer preocupação com crise econômica mundial ou recursos financeiros. “Disso ele é que cuida”, afirmou, dirigindo amplo sorriso em direção a Baratta. Este tratou de explicar que os recursos foram suficientes porque teria havido gerenciamento realista, adequação de projetos e negociação para patrocínios específicos da iniciativa privada (leiam-se galerias e sponsors corporativos de peso, de dentro e de fora da Itália).
Em época de vacas magras em todo o mundo, chama atenção o fato de a Fundação Bienal veneziana ter não só restaurado sua sede no Canal Grande (Pallazzo Cá Giustinian, do século 15) como ampliado a área expositiva do Arsenale para o denominado Arsenale Novíssimo: conjunto de prédios seculares agora dotados de vigamento metálico e telhado com luz zenital. Mais: reformou-se e ampliou-se o Pavilhão Itália, agora pavilhão La Biennale, e revitalizou-se o Arquivo Histórico, acervo com toda documentação do evento criado em 1895, finalmente em instalações adequadas à era da informática. O Arquivo esteve fechado à consulta por uma década.

Atualidades - Bienal de Veneza