Rennó no País das Maravilhas

© Rosangela Rennó

Há 150 anos, Alice foi parar pela primeira vez num mundo maravilhoso após cair por um buraco enquanto perseguia um coelho branco. De lá para cá, ela nunca mais parou de cair. Um dos maiores sucessos da literatura internacional, a menina volta a cair diariamente quando alguém no mundo abre as páginas do bestseller “Alice no País das Mravilhas”.

Mas a história de Alice não termina, como muitos pensam, depois de seus encontros com o Chapeleiro, a Rainha de Copas e tantos outros personagens memoráveis e nonsense. E é para resolver esta defasagem que a editora Cosac Naify lançou, recentemente, uma edição especial e inédita que conta a jornada de Alice dentro do espelho. Mais do que apenas a nova edição, chegou às livrarias uma caixa especial com dois livros: “Alice através do espelho”, com ilustrações da artista Rosângela Rennó, e “Alice no País das Maravilhas” ilustrada por Luiz Zerbini.

“Alice através do espelho” foi publicada originalmente seis anos depois do primeiro livro. A história é construída dentro das regras do jogo de xadrez. As personagens agem como peças numa partida: capturam peões e cavalos, dão o xeque-mate. Neste mundo, dividido em quadrantes como um tabuleiro, as personagens-peças brancas e vermelhas não esperavam encontrar a menina Alice, que, sem muito entender das particularidades deste universo, sai em uma jornada que a levará a ser rainha. Mas antes de cumprir o objetivo final, Alice é confrontada com a ideia de que tudo tem dois lados e o inverso não é, necessariamente, o contrário do verso. Não à toa, os livros de Carroll são apreciados por crianças e adultos, pela complexidade dos temas e pelo virtuosismo da forma. Quem defende essa teoria é Virginia Woolf, em texto inédito no Brasil e acrescido nesta edição: “Apenas Lewis Carroll nos mostrou o mundo de ponta-cabeça como uma criança o vê, e nos fez dar risada como uma criança dá risada, irresponsavelmente”.

Se na primeira história editada pela Cosac Naify, o artista Luiz Zerbini usou um baralho para criar as ilustrações que são um deslumbramento para os olhos, para “Alice através do espelho” foi convidada a mineira Rosângela Rennó, que se apropriou de frames de filmes e de algumas das célebres ilustrações de John Tenniel para recriá-los com um efeito de distorção produzido pela interferência de uma lente ao refotografar as imagens. O resultado é uma perspectiva “através da lente”, uma multiplicidade de Alices, como bem demonstrado na arte da capa, que traz uma resina sobre o rosto da menina, em foto tirada pelo próprio Lewis Carroll.

A caixa especialmente desenvolvida para acomodar as edições de “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”, quando aberta, pode servir de expositor para os dois volumes e tem o interior em papel metalizado, imitando um espelho.

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