Prêmio PIPA responde acusações de manipulação em resultado de votação

Um dia após a divulgação dos vencedores do Prêmio PIPA Online 2017, houve diversas manifestações nas redes sociais, protestando os resultados.

Jorge Luiz Fonseca foi o vencedor pelo voto popular. O artista conquistou 4.101 votos do público e ganhará o prêmio de R$ 10 mil. A segunda colocada, com 2.965 votos computados, é a performancer Musa Michelle Mattiuzi que levará o prêmio de R$ 5 mil.

As mensagens de protesto nas mídias sociais sugerem que houve manipulação nos votos, uma vez que um dia antes do resultado final, a performancer Musa Michelle estava vencendo, e no dia seguinte aconteceu uma reviravolta nas votações com a vitória do até então, segundo lugar, Jorge Luiz Fonseca.

Veja aqui os resultado da votação.

Em resposta a isso, a coordenação do Prêmio fez um comunicado, veja abaixo:

“O Prêmio PIPA acredita que uma das grandes funções da arte (e, portanto, dos artistas) é a de servir como um “termômetro” social, ajudando a salientar questões urgentes e a construir um debate relevante e de boa fé em torno delas. Assim, se servimos como veículo para trazer à tela questões relevantes e concretas, por mais diversas que sejam, estamos realizando nosso papel. Afinal, o primeiro passo para resolver um problema – em especial um problema tão pungente no Brasil como o racismo – é reconhecê-lo e discuti-lo.

Empreendemos nossos melhores esforços para verificar a origem e legitimidade dos votos no PIPA Online 2017 e não identificamos perfis fictícios, robôs ou indícios de grupos racistas entre os eleitores. A categoria, que acontece integralmente na internet em dois turnos, reconhece a identidade dos votos por endereço de IP e perfil no Facebook, as maneiras mais seguras que identificamos para realizar uma votação online. A verdade, contudo, é que a capacidade final de verificar a autenticidade e identidade dos membros do Facebook ou qualquer outra mídia social de forma definitiva (e seu pertencimento ou não a grupos organizados de discriminação) está muito além da nossa capacidade, dependendo não só das plataformas como também das operadoras de telecomunicação e autoridades.

Avaliar e punir eventuais manifestações extremistas e criminosas feitas em mídias ou lugares fora de nosso controle deve ser enfrentada por todos no dia a dia e em última instância pelas autoridades competentes. Foi algo deplorável o que aconteceu e medidas serão tomadas para que não aconteça no futuro. O Prêmio PIPA vem, manualmente, denunciando cada um dos comentários ofensivos que encontrou em sua página do Facebook. Ele não tem, porém, meios ou a responsabilidade de punir os eleitores de uma competição aberta online, em especial considerando-se que não encontramos provas concretas de que os votantes pertencem a grupos racistas.

Aproveitamos a oportunidade para ressaltar o compromisso do Prêmio PIPA com a criatividade, diversidade, a liberdade de expressão, o poder da comunicação e das artes em especial para identificar questões e tensões concretas e seu absoluto repúdio a toda e qualquer atitude racista e discriminatória de qualquer espécie. Vale lembrar que, em 2016, o vencedor do Prêmio PIPA e do Prêmio PIPA Voto Popular Exposição foi o artista cafuzo (descendente de negros e indígenas) Paulo Nazareth, e na categoria PIPA Online os vencedores foram os indígenas Jaider Esbell e Arissana Pataxó.”

 

 

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