Precursores da Arte Computacional em exposição inédita

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O Oi Futuro apresenta a partir de junho a exposição “Códigos Primordiais”, que traz ao Brasil quatro dos principais nomes da arte computacional internacional. A mostra reune obras de Paul Brown, Harold Cohen, Ernest Edmond e Frieder Nake, que há mais de 40 anos trabalham tendo como ferramenta códigos gerados através do computador, e expõem pela primeira vez na América Latina, em contato direto com o público brasileiro. Sob curadoria de Caroline Menezes e Fabrizio Poltronieri, as obras tomam todas as salas expositivas do Oi Futuro no Flamengo, no Rio de Janeiro, com documentos, gravuras, desenhos, pinturas e instalações interativas, além de debates com os artistas na semana de abertura. Este é um encontro histórico de artistas que são precursores da arte computacional, alicerce de uma das características mais predominantes da arte contemporânea: a conexão entre arte e tecnologia.

Conhecida também como arte generativa (obras mutáveis onde o processo de execução é realizado pelo computador através de algoritmos escritos pelo artista), esta produção vem sendo desenvolvida desde o início da década de 1960 pelos artistas de “Códigos Primordiais”. As obras iniciais eram impressões produzidas através de plotters (impressoras que geravam desenhos em grandes dimensões, com elevada qualidade e rigor) e com o tempo se chegou à ideia da realidade virtual e às instalações artísticas interativas de hoje.

Segundo a curadora Caroline Menezes, esta é uma grande chance de se conhecer mais sobre esse tipo de arte. Um debate aberto ao público com os artistas marca a semana de abertura da exposição. “Para o público brasileiro, “Códigos Primordiais” será uma oportunidade única para entender o desenvolvimento do que hoje chamamos de arte digital, arte cibernética ou arte e mídia, tendência inerente à arte contemporânea e de que muito se fala e se faz na cena artística brasileira, contudo ainda sem grande escopo histórico. Além de apresentar a singularidade dos trabalhos antigos e novos destes artistas, Códigos Primordiais visa contar um pouco dessa história já longa e prestigiosa, mas ainda pouco conhecida no Brasil”, explica.

A exposição também destaca a importância das linguagens de programação de computador na arte contemporânea e na educação, incentivando os visitantes a se envolver com as obras de arte e aprender sobre codificação e programação para a criação artística. Além de apresentar trabalhos anteriores, cada artista está criando obras especialmente para três espaços no Oi Futuro.

Curador junto com Caroline, Fabrizio Poltronieri diz que os artistas da mostra entendem a programação computacional como uma linguagem com um imenso potencial criativo. “A exposição apresenta a vertente atual do pensamento artístico, que não se limita às linguagens tradicionais das artes visuais. A relação destes artistas com a tecnologia computacional não é superficial, não se limita a digitar comandos na interface de uma máquina. O processo tem uma relação intelectual e subjetiva com a criação de algoritmos que visam a concepção estética.”

Compõem as atividades da mostra um ciclo de palestras ea publlicação de um livro. Nas palestras, os curadores e os artistas apresentaram suas trajetórias – não só como artistas, mas também como pesquisadores e acadêmicos – e discutem o presente e o futuro da arte computacional no mundo. O livro, bilíngue, é editado pelos curadores Caroline Menezes e Fabrizio Poltronieri, e inclui texto curatorial, ensaios críticos, entrevistas exclusivas com os artistas, imagens das obras de arte e documentos que contam a história da arte computacional.

A exposição abre dia 16 de junho e segue até o dia 16 de agosto no Oi Futuro, que fica na Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, e funciona de terça a domingo e feriados, de 11h às 20h. A entrada é grauita.

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