Panoramas do Sul no Sesc_Videobrasil

© Cortesia do artista

Um recorte da produção cultural do Sul Geopolítico a partir das questões históricas, políticas, sociais e humanitárias ocupa a cidade de São Paulo de 6 de outubro a 6 de dezembro de 2015 com o 19º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Panoramas do Sul. Nesta edição, o Festival foca sua programação em três exposições, além de publicações, programas públicos, performances e uma exposição paralela.

“O viés geopolítico que aproxima regiões de passado colonial em um heterogêneo conjunto de sotaques afins é uma ideia que guia o Festival desde os anos 1990. O 19º Festival dedica-se inteiramente a colocar em diálogo vertentes diversas da produção recente desta região simbólica”, explica Solange Farkas, curadora-geral do Festival e diretora da Associação Cultural Videobrasil que, ao lado do Sesc São Paulo, assina a realização do Festival.

Nesta edição, Farkas trabalha ao lado dos curadores Bernardo José de Souza (Rio Grande do Sul), Bitu Cassundé (Ceará), João Laia (Lisboa) e Júlia Rebouças (Sergipe). “Para além de um conjunto coeso, o que resulta da experiência de dedicar o 19º Festival à produção do Sul é um panorama instigante das estratégias, contranarrativas e indagações que artistas de trajetórias mais e menos consolidadas mobilizam para confrontar a realidade contemporânea”, completa.

O Sesc Pompeia será o espaço das exposições Panoramas do Sul | Artistas Convidados e Panoramas do Sul | Obras Selecionadas, que abrem no dia 6 de outubro. As mostras propõem que pontos comuns às obras sejam percebidos pelo público no fluxo de visitação. O Galpão VB, que será inaugurado durante o 19º Festival, receberá a mostra Panoramas do Sul | Projetos Comissionados, cuja abertura será em 8 de outubro. A exposição paralela Quem Nasce Pra Aventura Não Toma Outro Rumo – Obras do Acervo Videobrasil, com curadoria de Diego Matos, , será apresentada no Paço das Artes.

Além das quatro exposições, a programação conta ainda com Performances, atividades de Programas Públicos (como encontros e conversas com participantes do festival, um seminário que problematiza as questões do Sul e oficinas com artistas) e ações educacionais para grupos e famílias. Nas Zonas de Reflexão instaladas nos espaços expositivos, plataformas digitais do Videobrasil estão disponíveis para consulta do público.

Panoramas do Sul | Artistas Convidados

Pela primeira vez, o Festival traz em sua programação uma mostra coletiva de artistas convidados, cujas obras tocam em questões pertinentes do eixo Sul Geopolítico. Na mostra, os efeitos do imperialismo e do colonialismo, a formação identitária, a artesania atualizada e levada ao contexto da arte contemporânea, os trânsitos globais e a relação cultura-natureza são alguns dos temas tratados pelos artistas convidados pela Comissão Curadora: Abdoulaye Konaté (Mali), Gabriel Abrantes (Portugal), Rodrigo Matheus (Brasil), Sônia Gomes (Brasil) e Yto Barrada (Marrocos/França).

Única brasileira na mostra principal da 56ª Bienal de Veneza, a mineira Sônia Gomes produz estruturas tridimensionais complexas, com tecidos submetidos a torções, bordados e sobreposições. Esses materiais foram encontrados ou recebidos pela artista e possuem uma história, um passado, como ela enfatiza. Sônia traduz em sua obra a influência popular da avó materna, parteira e benzedeira, bem como a influência erudita da família paterna, de quem recebeu educação formal. A obra da artista cria um cosmo particular, ligado à memória familiar, à identidade racial, à história social, ao mesmo tempo em que discute as possibilidades da escultura. Trabalhos de séries como Torções e Patuás serão unidos para a exposição, gerando uma obra inédita em grande escala.

Panoramas do Sul | Obras selecionadas

Na área de Convivência do Sesc Pompeia, são apresentados 56 trabalhos de 53 artistas e grupos de 22 países selecionados por meio de um edital de obras criado para o Festival. A exposição reúne vídeos, videoinstalações, fotografias, gravuras, pinturas, performances e instalações que tocam em questões históricas, políticas, geográficas, culturais e estéticas latentes do Sul Geopolítico, como diásporas, identidades híbridas, trânsito migratório e viagens, narrativas pessoais, memórias, isolamento, tecido social e insularidade. Dentre os brasileiros na mostra, estão presentes João Castilho, Louise Botkay, Paulo Nazareth, Paulo Nimer Pjota, Solon Ribeiro, Vera Chaves Barcellos e Waléria Américo.

Panoramas do Sul | Projetos Comissionados

A exposição é resultado de uma nova ação do Festival, que pela primeira vez comissionar e acompanhar a produção de trabalhos de jovens artistas. A Comissão Curadora escolheu os projetos de Carlos Monroy (Colômbia), Cristiano Lenhardt (Brasil), Keli-Safia Maksud (Quênia) e Ting-Ting Cheng (Taiwan), produzidos em diálogo direto e contínuo com os curadores do Festival. As obras serão exibidas a partir do dia 8 de outubro, abrindo o Galpão VB para a cidade de São Paulo.

Exposição Paralela no Paço das Artes

O Paço das Artes será palco para a realização da exposição paralela do Festival, com abertura no dia 9 de outubro. Com curadoria de Diego Matos, coordenador de Acervo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil, a mostra apresenta obras do Acervo Videobrasil que se relacionam com os conteúdos do 19º Festival. Esses filmes compreendem um período que vai de 1978 a 2012 e representam 16 artistas e grupos de lugares e vivências distintas. As histórias narradas em alguns trabalhos mostram, por exemplo, as ambivalências existentes no Brasil. Em A Situação (1978, 09’) Geraldo Anhaia Mello, personagem e autor do vídeo, bebe dois litros de cachaça, enquanto fala sobre a situação sócio-político-econômica e cultural do país. Rita Moreira, com Temporada de Caça (1988, 25’), discute os crimes contra os homossexuais e a homofobia na cidade de São Paulo. Outro tema abordado, os sentimentos e as dissonâncias que a democracia gera dentro de si, é discutido em 11 de Septiembre (2002, 05’30’’) de Claudia Aravena. No filme, a artista traça um paralelo entre a queda do presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, e o ataque às torres do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

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