Outra natureza de Krajcberg

O escultor-fotógrafo Frans Krajcberg se notabilizou por seus retratos da natureza (que, muitas vezes, são utilizados como matéria-prima para seus desenhos e relevos moldados em papel).

O livro-objeto – “Outra Natureza” – oferece aos colecionadores, pela primeira vez, uma fotografia original de Krajcberg (com a assinatura gravada a fogo) e um álbum artesanal com 12 fotografias do artista.

O álbum tem textos de Leonel Kaz e João Meirelles e inclui, ainda, 16 fotografias de Krajcberg realizadas, na década de 1980, por Walter Carvalho. As fotos foram impressas em Fine Art com papel Velvet de 300 gramas (cada fotografia com apenas seis cópias). A realização é de Lucia Bertazzo, de UQ! Editions em co-edição com a Galeria Marcia Barrozo do Amaral.

Coleção Krajcberg: o vegetal ganha a magia da abstração

O mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu numa crônica, em 1975, sobre um livro-escultura, outro trabalho realizado pelos editores: “[Krajcberg] infunde categoria nova ao que era arte em estado de natureza, e o vegetal ganha a magia da abstracão”.

Esta magia da abstração se dá quando os objetos que nos cercam rebrilham pelo acaso de nosso olhar. É o acaso que faz o artista verdadeiro perceber, na miríade de formas da floresta, aquele recorte para o qual dará um novo sentido. É o que mostram as imagens: catador de mundos, ao que a natureza cria Krajcberg resolve dar o contorno de seu imaginário.

Krajcberg é um artista singular, desde quando ganhou tanto a Bienal de São Paulo quanto o Prêmio Cidade de Veneza, na Bienal de mesmo nome, ainda na década de 1960. Ele tornou-se um arauto da defesa do verde, ainda quando não era tão clara – e angustiante – a realidade de uma natureza trucidada pelo homem.

Estas fotos mostram, aos 95 anos de idade, um Krajcberg inquieto, vivaz, à procura da cor. Mostram que o artista continua voltado a perceber o que está vindo nestas obras que transmitem esperança. Ou o desejo de uma esperança.

Lemos de Sá apresenta importantes esculturas de Krajcberg

Além do lançamento do livro de artista “Outra Natureza”, a Lemos de Sá apresenta esculturas repletas da magia da abstração, de que falava Drummond. Nestas esculturas, as lianas e troncos retorcidos vão se entretecendo e passam a dispor de uma dupla vida: aquele na qual nasceram e morreram e aquela, recriada pelo artista, onde ganharam algum desejo de eternidade.

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