Morre o colecionador Jean Boghici

© Jaime Acioli

Quando o MAR – Museu de Arte do Rio foi aberto, em 2013, uma das primeiras exposições foi “O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici”, que trazia quadros e esculturas de uma coleção montada ao longo de mais de 50 anos. De fato, o acervo reunido por Boghici era um tesouro que trazia alguns dos mais relevantes nomes da arte dos últimos dois séculos, como Kandinsky, Rodin, Tarsila do Amaral, Giorgio Morandi, Rubens Gerchman, Antonio Dias, Calder, Lucio Fontana, Max Bill e outros 70 artistas. Pouco antes da exposição, um incêndio em um dos andares de sua casa fez com que 12 peças desse acervo se fossem para sempre. É o caso de “Samba”, de Di Cavalcanti, uma das telas preferidas do colecionador que foi consumida pelas chamas.

Jean Boghici é um grande nome para o mercado de arte no Brasil. Marchand, colecionador e galerista, nasceu na Romênia em 1928 e chegou ao Brasil duas décadas depois, em fuga com amigos judeus. Começou suas atividades com arte ao se tornar sócio da Petite Galerie. Ao final dos anos 1950, é convidado a participar do programa O céu é o limite, da TV Tupi, no qual responde perguntas sobre Van Gogh. Ganha então um valor considerável e compra um apartamento em Copacabana e um carro. Com o dinheiro restante, adquire suas primeiras obras, de Milton Dacosta e Arpad Szenes (1897-1985), entre outros. Em 1979, abre a galeria que leva seu nome e se torna um expoente do mercado.

Jean Boghici morreu no dia 31 de maio, aos 87 anos, no Hospital Samaritano, Rio de Janeiro, onde já estava internado há 45 dias por conta de uma embolia pulmonar.

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