MAM vai leiloar quadro de Pollock e tem apoio do Minc e recusa do Ibram

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro está vendendo uma de suas obras mais valiosas, uma pintura de Jackson Pollock, para ajudar a se manter ativo.

O museu privado, sem fins lucrativos, disse que uma venda desse tipo nunca foi feita antes no Brasil, embora seja comum na Europa e nos Estados Unidos.

A pintura de Pollock intitulada “No.16” foi concluída em 1950.

O MAM ainda possui outros tesouros, como as esculturas de Giacometti e de Brancusi que tem valores superiores a pintura de Pollock.

A receita da venda será usada para criar um fundo para manter o museu por mais 30 anos, disse a instituição.

A pintura foi doada pelo falecido ex-vice-presidente dos EUA, Nelson Rockefeller, em 1952, e é estimada em cerca de US$ 25 milhões.

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) convidou o Museu de Arte Moderna a reverter o curso e tentar criar uma outra maneira de arrecadar dinheiro em uma época de dificuldades financeiras para muitos no país.

Mas o Ministério da Cultura disse que apóia a estratégia, dizendo que o Museu de Arte Moderna se tornará menos vulnerável a crises econômicas e menos dependente de doações e patrocínios.

O Rio de Janeiro está atolado em turbulências financeiras desde que sediou os Jogos Olímpicos em 2016, principalmente por causa da queda nos preços do petróleo e como uma ressaca da recessão que todo o Brasil enfrentou em 2015 e 2016.

Veja abaixo a nota oficial do Ministério da Cultura

O Ministério da Cultura (MinC) reconhece e valoriza a autonomia do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, uma instituição privada que presta relevantes serviços à cultura brasileira, à sociedade e ao País. Por isso, respeita e apoia a decisão de sua diretoria, tomada com o propósito de buscar a sustentabilidade da instituição, de vender a pintura “No.16”, de autoria do pintor norte-americano Jackson Pollock.
O MAM-Rio pretende criar um fundo patrimonial permanente com a receita obtida, e deste modo constituir uma fonte permanente de recursos, com regras sólidas de governança. Também pretende constituir um fundo para a aquisição de obras de artistas brasileiros contemporâneos e modernos, sua grande vocação. A venda de obras de acervo com objetivos específicos é prática comum em museus norte-americanos e europeus e muitas vezes serve ao objetivo de garantir a sustentabilidade financeira dessas instituições. No caso em questão, embora a obra seja de inquestionável relevância, sua venda, isoladamente, mostra-se suficiente para angariar os recursos necessários à criação de um endowment que irá assegurar a sustentabilidade do MAM-Rio.
Ao buscar o modelo de endowment para a construção de uma base financeira mais sólida, a instituição demonstra estar olhando para o futuro, alinhando-se com as tendências internacionais de excelência em gestão de museus. Com o novo modelo, o MAM-Rio se tornará menos vulnerável a crises e menos dependente de doações e patrocínios, com maior estabilidade financeira e viabilidade operacional. O resultado disso, no longo prazo, será a permanência da instituição e a melhoria dos serviços que presta à arte brasileira e ao público. A venda de uma obra irá assegurar a conservação adequada e a exibição das 16 mil remanescentes, assim como o incremento da coleção de arte brasileira. A direção do MAM-Rio tem o total apoio do Ministério da Cultura e de suas instituições.
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