Japan House abre em São Paulo evidenciando a cultura do bambu

A Japan House São Paulo abre suas portas para o público a partir deste sábado, 06 de maio, na Avenida Paulista, 52, e apresenta um espaço que trará um novo olhar sobre o Japão contemporâneo, combinando tradição, tecnologia, inovação, gastronomia, arte e cultura. A primeira exposição, que fica até 09 de julho, coloca em relevo um protagonista silencioso da cultura japonesa – o bambu.

Rico pelas suas múltiplas aplicações como recurso natural, o Japão utiliza esse elemento simples como um ingrediente secreto que permeia os meandros da vida cotidiana do país. Com a exposição “Bambu – Histórias de Um Japão”, a JAPAN HOUSE vai revelar uma coleção de obras que formam uma cronologia visual de mais de 150 anos de arte em bambu.

Resultado da criação do curador e diretor de programação da JAPAN HOUSE São Paulo, Marcello Dantas, a exposição teve a importante co-curadoria de Joel Earle (ex-diretor da Japan Society e Especialista em Arte Japonesa da casa de leilões Bonhams), Hiroyuki Hashiguchi (historiador e antropólogo japonês) e Thaís Gurgel (pesquisadora brasileira). Além destes, a NEAJ Collection cedeu obras históricas para que sejam apresentadas na exposição algumas dessas facetas nas quais o bambu, elemento condutor deste mergulho poético, é a fibra que dá corpo e transforma aspectos especiais da cultura japonesa.

Para revelar a leveza, a flexibilidade e a força características da planta, poderão ser apreciadas esculturas de Chikuunsai IV Tanabe, Hajime Nakatomi, Shigeo Kawashima e Akio Hizume, principais nomes da arte do bambu no Japão hoje. Os quatro artistas apresentam obras no contexto da arte contemporânea, em vertentes e escalas diversas, mostrando as muitas possibilidades de trabalho com o material. Outro destaque refere-se à importância do bambu como coadjuvante no cotidiano da produção rural do país, representada aqui pela seleção de peças de Kazuo Hiroshima, artesão rural que orientou sua vida por um forte sentido de dever social ligado a seu trabalho artesanal.

A exposição retrata ainda histórias do Japão que reforçam a onipresença do bambu. Ele revela-se em rituais como a cerimônia do chá; no design de objetos para usos do cotidiano; na música por meio de instrumentos como a flauta feita de bambu madake; no cinema, com filmes como a animação em torno da princesa Kaguya do Conto do Cortador de Bambu, de Isao Takahata (2013), produzido pelo singular Estúdio Ghibli; nas artes marciais, como espada do Ken do – ou ‘caminho da espada’; e na gastronomia, na qual o consumo do broto de bambu (takenoko) é cultura milenar.

O bambu também surpreende no âmbito das inovações tecnológicas e das invenções. A mostra revelará curiosidades sobre o uso deste material em importantes descobertas do século 19, como a de Thomas Edison que, depois de testar milhares de materiais, adotou o bambu como filamento para seu grande invento, a lâmpada. Da mesma maneira, o bambu teve papel primordial para o brasileiro Santos Dumont, que enxergou na planta um meio leve e barato para produzir uma aeronave que pudesse popularizar a aviação, criando o 14 Bis e o Demoiselle.

A partir destas histórias de temas diversos, construídas em momentos distintos, o corriqueiro e o excepcional são expostos lado a lado, expondo facetas que retratam a riquíssima relação do Japão com o bambu.

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