Jac Leirner no jardim da White Cube

© Reprodução

A exposição “Junkie” da artista brasileira Jac Leirner explora o tema da dependência pessoal. Leirner criou séries fotográficas e esculturais, incorporando objetos e coisas efêmeras – entre eles parafernália relacionada com o tabagismo e o consumo de drogas – que ela tem recolhidos ao longo de um período de 30 anos.

“[…] O seu trabalho forja um encontro permanente entre várias coisas que estão na superfície do mundo, reunindo o inesperado e o conhecido sem qualquer tipo de hierarquia. ‘
Moacir dos Anjos, ‘O sorriso do gato “, Jac Leirner, Pinacoteca do Estado de São Paulo 2012

A exposição será apresentada no espaço Mason’s Yard da White Cube a partir do próximo dia 17 de março. Embora as esculturas e fotografias desta exposição sejam novas, elas têm suas origens em um ponto no tempo, cerca de 30 anos atrás, quando Leirner começou a manter os objetos efêmeros, alguns dos quais estão associados com a dependência de drogas. Reunidos ao longo de vários anos, os objetos utilizados nestas novas obras foram montados e fotografados durante uma farra de cocaína ao longo de três noites em 2010.

A artista inclui em seus trabalhos, escultura, pintura, instalação e obras sobre papel, muitas vezes com a matéria residual que nos rodeia na vida cotidiana, reapresentadas para criar associações novas e inesperadas. Etiquetas, esticadores, réguas, sacos de plástico, cartões de visita, pontas de cigarro e até mesmo notas de banco fazem sua aparição em suas esculturas, onde são acumulados para formar um compêndio visual, alguns foram retirados, mas não inteiramente deslocados de sua função original.

Nesta exposição Leirner continua a explorar a chave tema de seu trabalho, incluindo referência a momentos específicos da história da arte, especialmente modernismo brasileiro. Nesta nova série de fotografias, pequenas e surreais esculturas, esculpidas em blocos de cocaína, incluindo uma bela cabeça em miniatura e um coração minúsculo são justapostos com objetos encontrados em torno da casa do artista, tais como dados, lâminas de barbear e uma pinça. Impressas em tiras de madeira compensada, as imagens são dispostos em uma linha, apresentada na horizontal ao longo da parede, criando uma série de associações e narrativas que traça o passar do tempo e da neblina e da energia associada ao uso de medicamentos.

Ao lado das fotografias haverá uma nova série de esculturas baseadas na parede que reúnem itens coletados em conjunto durante os últimos anos de vício de Leirner, papéis de cigarro coloridos e caixas de cigarro são montados em suportes de madeira compensada. Todo o conjunto parece apresentar um senso de conexão e de equilíbrio que as drogas podem trazer a um viciado ou, igualmente, a arte pode trazer para o espectador. No entanto, mantêm-se simplesmente a evidência da vida cotidiana, sendo apresentada da maneira mais visual e simples possível.

A mostra acontecerá até o dia 14 de Maio no espaço Mason’s Yard da White Cube em Londres.

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