Iole de Freitas monumental por Redação

© Mario Grisolli

Um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, Iole de Freitas está comemorando sete décadas em 2015, das quais mais de quarenta anos foram dedicados a uma trajetória artística sólida, celebrada em grandes exposições no Brasil e no exterior. Em meio à importante data, a artista apresenta, a partir de 18 de julho, a exposição “Iole de Freitas – O peso de cada um” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Com curadoria de Ligia Canongia, a mostra ocupa o Espaço Monumental do Museu com uma instalação inédita, feita especialmente para o local, composta por três esculturas de grandes dimensões, duas suspensas e uma no chão. Atualmente trabalhando com chapas de aço, e não mais com as estruturas em policarbonato e tubos de aço inox, que marcaram sua produção desde 2000, Iole usa para a instalação aço inox espelhado e fosco, que pesam no total quase quatro toneladas.

A mostra traz ainda trabalhos em vidro com impressão fotográfica sobre película, da série “Escrito na água”, de 1996/1999, pertencentes a seu acervo pessoal e à Coleção Gilberto Chateaubriand/MAM Rio. Para a mostra, ela conta que quis “eliminar qualquer material que tivesse a impregnação da leveza, do através, do translúcido”. “Queria uma outra matéria, uma outra corporeidade, que o trabalho tomasse um outro corpo, daí o metal”, diz. Ainda com a ideia de evitar a transparência, ela realiza um suave espelhamento na superfície das chapas, mantendo fosco um dos lados. “Quis devolver ao espectador e a mim mesma a própria imagem”.

Sobre ocupar o espaço monumental do museu, a artista explica que trabalha sempre em estreita relação com a arquitetura, buscando as possibilidades de usar o sistema estrutural da arquitetura, fazendo com a obra potencialize toda sua linguagem. A relação com o espaço, assunto essencial em sua obra – é a principal questão da mostra. A curadora Ligia Canongia observa que “de sua formação no mundo da dança, Iole de Freitas guardou o valor dos deslocamentos e da elasticidade que os gestos corporais ativam no espaço, assim como o caráter ao mesmo tempo preciso e volúvel dos cruzamentos entre as formas e o ambiente”.

A exposição receberá um catálogo com texto crítico de Ligia Canongia e apresentação do curador do MAM Luiz Camillo Osorio. A publicação trará ainda uma cronologia ilustrada da trajetória da artista, e tem lançamento previsto para o dia 11 de setembro às 18h, na Art Rio, após conversa com os autores.

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