Héctor Zamora aterriza no CCBB São Paulo

De caráter original arquitetônico e geométrico, a obra do mexicano Héctor Zamora se constrói com frequência a partir de recursos da arquitetura, convidando a uma reflexão sobre os temas econômicos e ideológicos. Conhecido por seus trabalhos site specific em grande escala, que frequentemente incluem a participação do público, uma parte importante de sua obra poderá ser vista a partir de 2 de novembro (quarta-feira), no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (CCBB SP), na mostra Héctor Zamora | Dinâmica não linear, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e organização e produção SCULT | Consultoria, e coordenação geral da Base7 Projetos Culturais. A exposição é uma importante iniciativa de valorização e de debate da arte contemporânea internacional, que disponibiliza ao público uma produção atual e instigante.

A retrospectiva de Zamora abrange trabalhos produzidos entre os anos 2000 e 2016, a grande performance Ruptura, obras site specific do começo da carreira que foram recriadas para a ocasião, seguindo os mesmos princípios originais, que previam a adaptação ao lugar onde a obra é instalada. “Buscamos uma seleção que fosse representativa e desse conta da complexidade do trabalho dele, estabelecendo um equilíbrio entre suas obras consideradas icônicas e sua produção mais recente”, diz o curador da mostra, Jacopo Crivelli Visconti. “O que me parece mais interessante é notar como uma obra geométrica foi se tornando cada vez mais social, criando as premissas para uma interação com o público”. Nesse sentido, o trabalho de Zamora ultrapassa o espaço expositivo e dialoga com o público de maneira sutil, propondo reflexões de ordem social e político. A exposição ocupará os quatro andares do CCBB SP. O quarto e o segundo andares serão ocupados por núcleos de obras de períodos distintos aproximadas com o intuito de mostrar as relações e ressonâncias no trabalho do artista ao longo dos anos. São trabalhos como os registros de Sciame di dirigibili [Enxame de dirigíveis], trabalho apresentado em 2009, na Bienal de Veneza, no qual o artista cria uma lenda urbana sobre a tomada do céu da cidade por uma invasão de dirigíveis; a instalação Modelo econômico onde o artista sugere com ironia que a economia informal se converta em um modelo paradigmático; e o vídeo da performance Ordre et progrès, realizada este ano em 2016, no Palais de Tokyo (Paris), onde o artista faz uma critica sutil a qualquer noção de exotismo.

O terceiro e o primeiro andares apresentarão grandes video-instalações como Inconstância material, onde o artista subverte as relações de poder convencionais, ao colocar o trabalhador no centro das atenções do público e ao mesmo tempo isolando na engrenagem produtiva um espaço para o jogo e a criatividade, marcado aqui pelo canto/poema Gigante, composto por Nuno Ramos.

No térreo, ficarão os registros da performance Ruptura, concebida especialmente para o vão do CCBB SP, que ocorrerá no dia 2 de novembro, às 11h, abertura da exposição.

O artista

Héctor Zamora ficou internacionalmente conhecido nos últimos anos por uma série de intervenções no espaço público, além de performances em instituições icônicas como o Palais de Tokyo, em Paris, onde realizou este ano uma ação que será mostrada também no CCBB. Sua produção está em constante evolução e, com frequência cada vez maior, convida os visitantes à interação. A justaposição de trabalhos de momentos distintos da sua trajetória torna evidentes também algumas preocupações constantes na poética de Zamora, em especial a maneira como formas geométricas, aparentemente rígidas e abstratas, tornam-se veículos de interação espontânea ou de reflexão sobre o funcionamento das estruturas sociais.

Nascido na Cidade do México em 1974, Héctor Zamora estudou design gráfico na Universidade Autônoma Metropolitana, em 1998, e se interessou mais tarde na criação de estruturas em espaços públicos. Entre suas exposições individuais estão: Inconstância Material, Luciana Brito Galeria, 2012; White Noise, Auckland Arts Festival, Nova Zelândia, 2011; Paraísos Ofrecidos, El Eco, Cidade do México, 2011; e Errante, Itaú Cultural, São Paulo, 2010. Em exposições coletivas em vários países, o trabalho de Zamora esteve presente: Resisting the Present: Mexico 2000/2012, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, France, 2012; 32° Panorama da Arte Brasileira, São Paulo, 2011; Bienal de Liverpool, Reino Unido, 2010; 53ª Bienal de Veneza, Itália, 2009; 27ª Bienal de São Paulo, Brasil; 9ª Bienal de Havana, Cuba, 2006; e Eco: Arte Mexicano Contemporáneo, Reina Sofía, Madrid, 2005.

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