François Morellet morre aos 90 anos

Atualmente com a mostra “A Regra do jogo” em cartaz na Dan Galeria em São Paulo até 31 de maio, o artista e escultor francês François Morellet morre em Paris aos noventa anos de idade.

François Morellet nasceu em Cholet, a 350 km de Paris, em 30 de abril de 1926. Seu interesse pela arte nasceu por influência de seu pai. Aos 15 anos, frequentou cursos de pintura no ateliê de Jean-Denis Maillart (pintor da moda na Paris de 1941) e na oficina de gravura Stanley William Hayter. No entanto, por nunca ter realmente tido uma educação formal nas artes, considera-se um autoditada.

Começa a pintar de maneira abstrata em 1948, quando realiza seus primeiros trabalhos após obter influências da arte primitiva.

Em 1950, suas pinturas se tornam abstrações geométricas. Nesse período, através de Dany Lartigue (artista e filho de Jacques Henri Lartigue) conhece Pierre Dmitrienko (pintor russo-germânico, expoente da pintura abstrata do pós-Segunda Guerra) e François Arnal (pintor e escultor francês, também influente no pós-Segunda Guerra), com quem manteve relações amigáveis, e participa de diversos encontros que o ajudaram em seu processo criativo.

Também em 1950, expõe seu trabalho na galeria Raymond Creuze, onde conhece Serge Charchoune, um dos artistas que mais o influenciarão, ensinando-o a explorar um lado mais claro da abstração.

A partir de 1952, o artista dedica-se a uma tendência particular da abstração geométrica feita de formas simples, sem composição, usando a repetição, preferindo a linha à cor e privilegiando uma fatura neutra, rompendo com a corrente marcada por Herbin, Domela e Magnelli dominante na época através do “Salon des Réalités nouvelles” e nas galerias parisienses.

De 1953 a 1958, François Morellet cria sua linguagem estilística feita de linhas paralelas ou concêntricas, de quadrados ou de triângulos, de faixas ou de traços, a preto e branco ou a cores. O artista define o seu método de sistematização, no qual ele incluiu o recurso ao acaso, para contestar ainda mais o arbitrário de qualquer decisão de natureza artística e ao qual ele envolve a participação do espectador. Desenvolve seus temas principais incluindo o da grelha, a qual ele dá em 1958 uma versão intitulada 4 doubles trames traits minces 0° – 22,5°- 45° – 67,5° (Obra localizada em Paris, Centre Georges Pompidou, Musée National d’Art Moderne), que é uma de suas obras-primas e se tornou uma de suas criações mais famosas. No mesmo ano, o artista vê a sua primeira grande exposição organizada em Paris pela prestigiosa galeria Colette Allendy

No final dos anos 1950, em viagem ao Brasil, Morellet é apresentado a Almir Mavignier, que o coloca em contato com a obra do designer gráfico suíço Max Bill, um dos pioneiros da “Arte Concreta”, que passa a influenciar o artista francês.

Em 1961, o artista participa da exposição Novas Tendências, na Iugoslavia, a primeira mostra coletiva dedicada à arte concreta que ascendia em todo o mundo e serve de embrião para a histórica Responsive Eye, no MoMA, em 1965.

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A partir de 1960, François Morellet participa do grande movimento da arte lumino-cinética que surgiu na França e no mundo. Com o grupo de arte nomeado Groupe de Research d’Art Visuel (G.R.A.V.), que co-fundou em 1961 junto com Horacio Garcia-Rossi, Julio Le Parc, Francisco Sobrino, Joel Stein e Yvaral, o artista multiplica suas experiências: recorre, por exemplo, ao uso de luz artificial, defende a criação coletiva, exige o abandono total da pintura e do quadro de cavalete, cria ambientes, organiza eventos efêmeros e busca a participação do espectador.

Essas práticas, contudo, são abandonadas antes do final da década. Com a dissolução do G.R.A.V., Morellet encontra sua liberdade como artista, e a vontade de agir e pensar por si mesmo. Ele considera as realizações do período apenas passado e retoma os principais temas que tinha desenvolvido antes de 1960. É o que demonstram os trabalhos que foram comentados anteriormente: um retorno à pintura de forma geométrica, aprofundando suas ideias iniciais para um novo começo.

Essa retomada, repleta de renovações, irá manifestar-se na exposição retrospectiva que John Leering organiza em 1971 no Stedelijk Van Abbemuseum em Eindhoven, na época um dos museus mais importantes da Europa, e que irá à Alemanha, à Bélgica e à França.

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