Especial SP-Arte – Nota 8: Performances 2017, veja programação completa

Em parceria com o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, a SP-Arte apresenta um setor dedicado exclusivamente a performances.
Os inscritos foram avaliados por uma comissão formada por Cauê Alves e Roberto Bertani, professor e coordenador da Belas Artes, respectivamente; Solange Farkas, curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil; Paula Garcia, artista; e Fernanda Feitosa, diretora e idealizadora da SP-Arte.

Veja imagens e a programação completa:

quinta, sexta e domingo às 13h
Gravidade existencial
Helio Tafner
Goiânia, Brasil, 1988
No trabalho Gravidade existencial, o artista coloca em prática a meditação zen-budista, um trabalho corporal estático e rígido, além de uma reflexão existencialista da vida. Fazendo o uso de sua testa mantém objetos do cotidiano – e que também possuem uma carga afetiva – sustentados contra a parede, a partir de diferentes ritmos de pausa e respiração. Numa breve e intencional passada para trás, deixa-os caírem pelo espaço, e, na sequência, “freia” o corpo no momento em que sua testa encontra-se com a parede à frente.
Dessa forma, o artista questiona ação-reação sobre o próprio corpo. Quando em posição estática, tenta domesticar o fluxo; de maneira que não controla mais seu desejo. Deixa a desordem da operação agir e, repetidamente, continua a ação. O fato de permitir aos objetos caírem com a força da gravidade, neste trabalho, pode ser utilizado como uma metáfora sobre as forças que o mundo exerce em nossos corpos.

sábado às 16h
Burcas flutuantes
Aline Tima
A questão do estar anônimo levanta muitos questionamentos . Um dos mais intrigantes deles, para Aline Tima, é: por que somos vigiados constantemente? Como resposta, está presente na produção da artista a confecção de máscaras e burcas e outros objetos que cobrem a face, denominados por Tima como Dispositivos Performáticos de Resistência (DPR).
Burcas flutuantes trata-se de uma intervenção que apresenta pessoas andando de skate enquanto estão vestidos com tais dispositivos confeccionados em molde de burca.

quarta às 14h
sábado às 13h
Ratsrepus
Fabiano Rodrigues
Santos, Brasil, 1974
Em Ratsrepus, Fabiano convida o skatista profissional Akira Shiroma a participar de um experimento de interferência no universo do skate, em que a identidade do skatista é apagada. Em contato com o artista, Shiroma desenvolve ações utilizando um único skate, deslocando-o assim de sua função habitual e criando padrões estranhos de movimento. Os dois ficam em torno da desfuncionalização e ressignificação do skate como objeto.

domingo às 13h
Psicografando Tunga
Andressa Cantergiani
Porto Alegre, Brasil, 1980
Psicografando Tunga é uma performance duracional que partiu de um sonho da artista com Tunga, em que ele pedia para Andressa realizar uma longa trança. Em novembro de 2016, ela fez uma residência em Terra Una, onde desenvolveu essa performance. Foram dez dias construindo um metro de trança diariamente, resultando em 10 m ao final. A cada dia e a cada metro, a artista saía pela vila de Terra Una para uma conversa com a paisagem e com quem a encontrasse – animais, árvores, plantas, moradores, visitantes. A trança era o motivo da conversa, do convívio e diálogo com o mundo. A relação corpo-objeto-paisagem como dispositivo operacional de criação. A trança enquanto entrelaçamento de percepção do convívio social, enquanto política do corpo, como identidade e resistência.
Na SP-Arte/2017, Andressa Cartegiani constrói mais 10m de trança. Ao caminhar pelo espaço, tece imagens por meio do objeto relacional que é a trança, capaz de conectar a artista com o mundo e com as pessoas. O eu-tu-nós trançados, atravessados e (trans)bordados por meio da cognição. O fora-dentro, o entre. Um corpo que sai para entrar, e entra para sair – sempre diferente. O transe revela a psiquê oculta, a trança é o caminho que conecta.

quinta às 14h
Repetidamente repetente
Erica Storer
Curitiba, Brasil, 1992
A ação é composta pela relação entre o corpo e a construção de uma torre com tijolos. A construção com tijolos e cimento inicia-se ao ultrapassar uma mesa furada e segue por mais 1,5 m sobre a superfície da mesa. A performer, sentada numa cadeira próxima à mesa, tem sua cabeça e pernas inseridas dentro da torre, e por incessantemente duas horas, desenha com os ambas mãos círculos, no espaço mesa ainda vazio sobre a mesa. O corpo é consumido pela repetição. O desenho contínuo acontece quase como uma extração e produto de tal condição, ou ainda uma tentativa interminável de registro do tempo.

quarta às 14h
quinta às 13h
Tempo-Revés
Lucas Dupin
Belo Horizonte, Brasil, 1985
Em meio ao fluxo incessante de visitantes, o artista, em absoluto silêncio, senta-se à mesa disposta em local de grande circulação de pessoas e prepara-se para permanecer ali sentado por horas. Trajando roupas de um trabalhador anônimo e munido apenas de estilete e calendários comerciais, atravessará o dia de trabalho retirando toda e qualquer referência temporal que esteja presente nos mesmos, uma a uma. Através do corte, lento e preciso, a representação dos dias, meses e anos aos poucos darão lugar a uma intrincada e delicada grade vazia. Por fim, aos pés da mesa, estarão acumulados os pedaços retirados de cada calendário, resultado de horas de trabalho.

quarta às 12h
sexta às 14h
domingo às 13h
Entropia social
Status Quo
O toque me convence que sou real
Felipe Cidade
São Paulo, Brasil, 1989
A performance Status quo é composta pelo performer parado e de pé entre oito aquecedores posicionados em um círculo fechado. A imagem exibe a dicotomia do homem moderno: enquanto a industrialização segue em alta velocidade, o homem retrocede a práticas ancestrais. Neste caso, o calor dos aquecedores remete ao conforto e à segurança, mesmo que em sua volta as coisas sejam propícias a isso.
Entropia social, uma performance formada por uma caixa de laranjas, um saco vazio e uma faca sobre uma mesa e cadeira, com a ação definida pelo gesto de descascar as laranjas, manter as cascas no centro e colocar as frutas descascadas no saco vazio. Durante a performance, o suco da laranja escorre da mesa até o chão e, aos poucos, contamina o ambiente com o cheiro cítrico da fruta. A laranja, em diversas culturas na história, foi e ainda é um fruto exótico, de classes sociais mais altas. Reações positivas e negativas surgem conforme o cheiro se espalha pelo espaço, aproximando uns e afastando outros, como um catalisador natural para classes sociais mais privilegiadas.
A ação é formada por um conjunto de lixas na parede, e o performer escreve a frase “O toque me convence que sou real” nas lixas, com um cubo de madeira. A peça, cujo título é o mesmo da frase escrita é manuseável, trata do atrito doloroso da lixa na pele, que leva o espectador de volta a si mesmo, a se questionar se deve tocar algo que talvez cause dor para que se sinta real.

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