Em imagens: “Histórias da sexualidade” no MASP já movimenta as redes antes da abertura

A coletiva, que faz parte da temática sobre sexualidade para o ano de 2017 na programação do MASP, já estava prevista muito antes das polêmicas envolvendo a exposição vetada no Santander Cultural e a performance no MAM de São Paulo.

Com abertura marcada para esta quinta-feira, dia 19 de outubro, já há um movimento de artistas e envolvidos das artes para apoiar o Museu e protestar pela não censura das artes visuais no Brasil.

Veja galeria de imagens das obras em primeira mão em nossa galeria.

Histórias da sexualidade apresenta mais de 200 obras do acervo do MASP e de coleções brasileiras e internacionais, incluindo desenhos, pinturas, esculturas, filmes, vídeos e fotografias, além de documentos e publicações, de arte Pré-Colombiana, Asiática, Africana, Europeia, Latino-Americana, entre outras. A mostra ocupa três espaços expositivos do Museu: a sala de vídeo, com um trabalho inédito de Mauricio Dias & Walter Riedweg; a galeria do primeiro subsolo, com o núcleo Políticas do corpo e ativismos, com obras de Jo Spence, General Idea, Pedro Lemebel e Yeguas del Apocalipsis, entre outras; e o primeiro andar, onde se concentra o maior número de obras, distribuídas pela sala em 8 núcleos temáticos: Corpos nus, Totemismos, Religiosidade, Performatividade de gênero, Jogos sexuais, Mercado de sexo, Linguagens e Voyeurismo.

NÚCLEOS 1º ANDAR
Corpos nus — esse é o núcleo que abre a exposição no primeiro andar. Aqui, as obras evidenciam um dos objetos de estudo e representação mais comuns na história da arte: o corpo humano despido. Estão expostos corpos femininos, feminilizados, corpos masculinos e masculinizados, corpos trans, corpos não-binários, corpos queer, corpos travestis, múltiplos tamanhos, belezas e padrões, e que podem suscitar reações de repulsa e abjeção, desejo e encantamento.

Estão confirmados os artistas Anita Malfatti, Balthus, Cláudia Andujar, Édouard Manet, Flávio Rezende de Carvalho, Francis Bacon, Jean-Auguste Dominique Ingres, Juan Davila, Maria Auxiliadora da Silva, Nancy Spero, Pierre-Auguste Renoir, Victor Meirelles.

Totemismos – a seguir, pela direita, em sentido anti-horário, o visitante encontra o núcleo dedicado à representação dos órgãos sexuais, ora de forma “naturalista”, ora mais “realista”. Imagens de falos, vulvas, seios vindos de diferentes culturas — pré-colombiana, ameríndia, africana tradicional, europeia e brasileira mais contemporânea — são dispostas lado a lado. Tal qual um cabinet de curiosités sexual, uma vitrine abriga diferentes representações de genitálias.
Estão confirmados Alexandre da Cunha, Ana Mendieta, Louise Bourgeois, Vania Toledo, Paulo Brusky

Linguagem – o terceiro núcleo pretende destacar o uso da linguagem como uma forma igualmente privilegiada de convencionar a arte e a performatividade, com destaque para a semiótica, a língua de sinais e a comunicação por símbolos, intervenções em meios de comunicação, diversas formas de expressão do gênero e da sexualidade.
Estão confirmados Dean Sameshima, Glauco Mattoso, Jac Leirner, Leonilson, Miguel-Ángel Cárdenas.

Performatividade de gênero – nesse núcleo, as questões de gênero são tidas como atos intencionais, histórica e socialmente construídos, capazes de produzir e reforçar sentidos. Aqui, as obras retratam corpos com atitudes, marcas, vestimentas e outros signos que desafiam noções normativas de sexualidade e gênero.
Os artistas confirmados são Álvaro Barrios, Carlos Leppe, Flávio Rezende de Carvalho, Lynda Benglis, Paul Gauguin, Regina Vater.

Jogos sexuais — faz parte das muitas histórias da sexualidade a existência de práticas coletivas ou intimistas, que cruzam tempos, materialidades e espaços. A referência nesse quinto núcleo são as brincadeiras, os toques, os objetos e os jogos que integram a arqueologia do prazer e do desejo e se apresentam de muitas formas, sob vários desenhos.
Integram esse núcleo os artistas Albino Braz, Alice Neel, Cildo Meireles, Dorothy Iannone, Louise Bourgeois, Nicolas Poussin, Suzanne Valadon.

Mercado de sexo – nesse núcleo, a noção de mercado de sexo não é a que aprisiona as práticas sociais, sobretudo femininas, à condenação moral, à passividade e à ausência de desejo. É, sim, uma ideia ampliada, de mercados voltados à sexualidade, que incluem a prostituição, a pornografia, as sex shops, as saunas e os produtos e serviços afins.
Estão confirmados os artistas Cícero Dias, Edgar Degas, Lasar Segall, Miguel-Ángel Cárdenas, Philip-Lorca diCorcia, Renato de Lima.

Religiosidade – nesse núcleo, parte-se da ideia de que imagens religiosas são também socialmente negociadas como objetos de cortejo sexual: diversas incitam o desejo e, ao mesmo tempo, procuram conter e silenciar qualquer excitação. O exemplo mais conhecido talvez seja o corpo nu de São Sebastião, que aparece como mártir, mas também como símbolo homoerótico.
Estão confirmados os artistas Ayrson Heráclito, León Ferrari, Nahum B. Zenil, Pietro Perugino.

Voyeurismo – por fim, no último núcleo do 1º andar, artistas, curadores e público tornam-se voyeurs: observam, com seus olhares particulares, atos de outros corpos, localizados tanto em locais privados quanto públicos.
Nesse núcleo estão confirmados Alair Gomes, Edgar Degas, François Clouet, Pablo Picasso.

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