Di Cavalcanti em livro e exposição

“Eu sou meu personagem”, dizia Di Cavalcanti sobre si mesmo. Nada poderia defini-lo melhor. Autodidata, ilustrador, desenhista, caricaturista e pintor, entre todos os pintores do Modernismo, Di foi o único artista que se manteve ativo do início ao fim do período modernista (até sua morte, em 1976) e aquele que melhor retratou as nuances e o lirismo da cultura e do povo brasileiro. Mais de duas décadas desta rica produção, compreendendo os anos de 1925 a 1949, estarão na exposição Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos, com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti. A mostra acontece de 17 de março a 28 de Maio e reunirá cerca de 50 obras do artista – entre óleos, aquarelas, guaches – na Galeria Almeida e Dale, que já apresentou anteriormente as exposições de Fernando Botero, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Alberto da Veiga Guignard, Willys de Castro, Candido Portinari e Ismael Nery.

Dando mais um passo no seu projeto institucional, a Galeria AD lançará em 8 de Abril, durante a SP-Arte, Di Cavalcanti – Conquistador de Lirismos (o livro) trará mais de 200 obras do artista, em publicação da Editora Capivara. Também com curadoria de Denise Mattar e consultoria de Elisabeth Di Cavalcanti, a edição reveste-se de especial importância, pois, embora sendo um dos mais conhecidos e importantes artistas brasileiros, Di Cavalcanti tem poucas publicações sobre seu trabalho. A maior parte delas realizada há muitos anos e esgotadas.

1925 e 1949

A fecha curatorial que compreende os anos de 1925 a 1949 marca um período de amadurecimento, transformação e virada na obra do artista.

1925 é o ano do regresso de Di de sua primeira viagem à Europa, após um período de dois anos, onde viveu em Paris como jornalista. Na capital francesa, frequentou a Academia Ranson, visitou museus e exposições e se encantou com os expressionistas alemães. Conheceu Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Viajou à Itália para ver Tiziano, Michelangelo e Da Vinci. Este contato com a vanguarda europeia e com os grandes mestres do passado foi fundamental para o artista, que voltou ao Brasil renovado e consciente do que queria para sua obra. “Paris pôs uma marca na minha inteligência. Foi como criar em mim uma nova natureza e o meu amor à Europa transformou meu amor à vida em amor a tudo que é civilizado. E como civilizado comecei a conhecer a minha terra. (…)”, afirmou.

Em 1949, em viagem ao México, Di teve contato com os pintores e muralistas mexicanos Diego Rivera (1886-1957) e José Orozco (1883-1949). A experiência com o muralismo mexicano abriu um novo caminho para o artista, que, a partir de 1950, passou a realizar painéis e murais para a nova arquitetura de linhas simples e arrojadas que encarnava o sonho da modernidade brasileira.

Ao longo dos 24 anos que compreendem os dois regressos, Di Cavalcanti elenca os principais temas de sua obra: as pessoas comuns, os sub-urbanos, retratados na favela, nos botecos, nas docas, nos bordéis, nas festas populares, e as mulheres – mulatas, negras, brancas, ricas e pobres, morenas e loiras, retratadas num clima lírico e sensual, dolente e langoroso. E os opostos que colocava em convivência – o lirismo e a sensualidade, o real e o fantástico, o cotidiano e o extraordinário, a razão e a emoção –, compondo um universo artístico que classificava como realismo mágico.

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