Crise na Bienal do Mercosul: curadores renunciam e mostra se reduz

© Mathias Cramer

A 10ª Bienal do Mercosul está em crise profunda. A equipe curatorial, composta pelo historiador e crítico de arte Gaudêncio Fidelis (Brasil), como curador-chefe; o curador adjunto Marcio Tavares; e curadores assistentes Ana Zavadil, Fernando Davis, Raphael Fonseca e Ramón Castillo Inostroza; e Cristian G. Gallegos, como curador do programa educativo, três deles, Fonseca, Davis e Castillo, apresentaram oficialmente sua carta de demissão.

A crise econômica no Brasil causou um grande impacto no orçamento da Bienal, assim como a falta de patrocínio para financiar o transporte de um grande número de obras que seriam exibidas – exigência que, de acordo com Davis, nunca tinha mencionada – levando a Fundação Bienal do Mercosul tomar a medida unilateral, ou seja, sem consultar sua equipe curatorial, de apresentar apenas alguns dos trabalhos (e artistas), previamente selecionados em um trabalho de meses da equipe curatorial.

Apesar das graves circunstâncias, a Fundação Bienal continua empenhada em prosseguir com o cronograma, que já sofreu alterações. Segundo uma declaração pública do dia 4 de setembro, abertura foi adiada do dia 8 para o dia 23 de outubro e o encerramento de 22 de novembro para 6 de dezembro. Segundo a Fundação Bienal o atraso foi devido a “questões logísticas importação de obras de arte”.

A Bienal de 2015 deveria exibir 700 obras de 402 artistas de 21 países. Um número exorbitante e, portanto, suscetível a comprometer o transporte das obras, principalmente em um momento de crise. De acordo com Fernando Davis, em sua carta de demissão, toda esta situação poderia ter sido evitada se, meses atrás, antes do anúncio oficial da lista dos artistas participantes, fosse redefinido o projeto curatorial de acordo com a nova situação orçamental, quando tudo indicava que uma Bienal com essas dimensões era impraticável.

A Fundação decidiu manter apenas as obras da Bienal que estão fisicamente localizados no Brasil, obras dos países que contam com patrocinadores para financiar o transporte, e aquelas cujas características físicas (foto ou vídeo, por exemplo) permitem o envio de cópias para a exposição. Esta decisão, tomada unilateralmente pela Fundação Bienal, sem qualquer discussão prévia com a equipe curatorial, deixa de fora muitos artistas de países como Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Venezuela, de acordo com Davis.

Compartilhar: