Caminhando com Gabriela Machado

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Exposição: Monotipias – Phoenix de Gabriela Machado

“Sou o que costumo chamar de uma artista peregrina: caminhando eu faço as minhas escolhas, tanto na vida como na obra. Meu trabalho é um processo que se alimenta do próprio processo. Ao final, vejo que tudo se completa, todas as obras interagem, se entrelaçam, dialogam entre si”, diz Gabriela Machado, que, paralelamente à mostra da Mul.ti.plo, também estará expondo no MAM, mostrando, em uma única mesa, uma instalação com esculturas em vários materiais, como porcelana e gesso, produção dos últimos três anos. “No fundo, as duas exposições pulsam de forma semelhante”, completa.

Na galeria Mul.ti.plo Espaço Arte estarão 20 monotipias realizadas em 2011, mas ainda inéditas (realizadas durante uma residência no Studio Armstrong and PriorInc, em Phoenix, no Arizona, com o auxílio do gravador John Armstrong), além de um díptico e dois polípticos. Todos criados, como sempre, no chão. Gabriela prefere assim: “Não consigo trabalhar na vertical. Parece que aquele espaço branco de frente, antes de ser preenchido, necessita de uma hierarquia. No chão, eu simplesmente ‘ataco’”, diz a artista. Assim surgem as “naturezas-mortas em ação”, como o crítico Ronaldo Brito certa vez se referiu à sua obra.

Gabriela Machado não se considera uma colorista. “A cor não vem para construir o trabalho, é um ‘utensílio’, está a serviço de toda a imagem”, diz. Assim, os muitos tons de verde, os azuis, roxos, os cítricos e principalmente as muitas nuances de vermelhos, amarelos e laranjas que explodem na tela ou no papel são pesados ou leves, mas sempre pontuados pelo vigor de sua pincelada. Movimentos verticais, horizontais, circulares, contínuos. Como escreveu o crítico Paulo Venâncio Filho “a artista pinta pinceladas, isolando uma ação e repetindo-a várias vezes (…). A gestualidade é, ao mesmo tempo, contida e extrema. Contida porque não se expande além de um só gesto, e extrema porque coloca tudo nesse gesto, ampliando-o ao máximo. O contato do pincel com a tela é intenso, realizado em um movimento contínuo.”

Para Gabriela, a obra começa pelo interesse nas formas e na maneira “desobediente” como essa forma toma corpo através do pincel e se torna orgânica – como uma figura que quer se construir, sem sucesso. Então a cena vai acontecendo, um movimento, uma cor. “Um exercício de tirar do espaço do olhar e inserir no plano”, como diz a artista na entrevista que integra o livro ARTE BRA-Gabriela Machado, nona edição da coleção da editora Automatica, que já focalizou a obra de Barrão, Luiz Zerbini, Raul Mourão e Marcos Chaves, entre outros, e será lançado durante as mostras.

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