As tatuagens de Carlos Vergara

© Vera Donato

“Os desenhos nos cadernos me interessavam, mas tinham um caráter de anotação. A proposta dessa exposição é dar a eles a potência do discurso. Vão para a parede como tatuagens”, comenta o artista.

Com curadoria de Fernando Cocchiarale, a mostra exibe trabalhos feitos com asfalto sobre MDF recortado, realizados a partir de desenhos selecionados em cadernos do artista, dos anos 1970 aos dias de hoje.

Entre o sólido e o pastoso, entre o poético e o plástico, entre o desejo de perpetuar e experimentar. A galeria apresenta a exposição Carlos Vergara – Inéditos, com cerca de 20 obras produzidaste nos últimos anos.

Todo o processo de making off da nova série poderá ser visto num vídeo assinado por Inês Vergara, que será exibido ininterruptamente na vitrine da galeria. A ideia é levar arte de forma gratuita e democrática para quem estiver passando pela calçada.

Além das tatuagens, Vergará ocupará a galeria com quatro múltiplos em 3D da série Mangue, iniciada em 2010, que tem como pretexto os manguezais da Barra, região onde o artista realizou intervenções artísticas de caráter público. Pinturas sobre telas, aquarelas e desenhos também estarão reunidos na mostra.

Sobre o artista

Carlos Vergara (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 1941) iniciou sua trajetória nos anos 60, quando a resistência à ditadura militar foi incorporada ao trabalho de jovens artistas. Em 1965, participou da mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, um marco na história da arte brasileira, ao evidenciar esta postura crítica dos novos artistas diante da realidade social e política da época. A partir desta exposição se formou a Nova Figuração Brasileira, movimento que Vergara integrou junto a outros artistas, como Antônio Dias, Rubens Gerchmann e Roberto Magalhães, que produziram obras de forte conteúdo político. Vergara foi assistente de Iberê Camargo e realizou mais de 180 exposições individuais e coletivas de seu trabalho, dentre elas: as mostras Opinião 65 e 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Salon de la Jeune Peinture, no Musée d’Arte Moderne de la Ville de Paris; Bienal de São Paulo (1963, 1967, 1989, 2010); 2ª Bienal de Medellín, Colômbia (1970); 39ª Bienal de Veneza (1980), Do Moderno ao Contemporâneo: Coleção Gilberto Chateaubriand, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (Portugal); Carlos Vergara 89/99, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; 1ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, na Fundação Bienal de Artes Visuais do MERCOSUL, Porto Alegre (RS); Carlos Vergara Viajante (2003), no Instituto Tomie Ohtake; Carlos Vergara – a dimensão gráfica: uma outra energia silenciosa, no MAM-Rio (2010); e Carlos Vergara, na Almacén Galeria Unlimitedart, no Brooklyn, em Nova York (2010).

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