Arte em torno de Bethania

© Obra de Luiz Áquilla - FOTO Catarina Ribeiro

Um dos maiores nomes da música brasileira, Maria Bethania completa 50 anos de carreira em 2015. E as diversas comemorações que têm acontecido para celebrar a data acabam de chegar também às artes visuais. São as fortes emoções que Maria Bethânia desperta ao seu redor que dão o tom da mostra “Maria de Todos Nós”, com obras de mais de uma centena de artistas plásticos, fotógrafos, poetas e músicos, no Paço Imperial/RJ.

A mostra nasceu como um movimento voluntário de amigos e fãs famosos ou anônimos de Bethânia, reunidos pela produtora Ana Basbaum, que contribuíram com obras inspiradas no universo da artista. “O intuito não era o elogio à artista”, conta Bia Lessa, “mas os ecos e as inspirações que brotam a partir de seu trabalho. Espontaneamente foram se juntando obras, ideias, artistas e admiradores e a exposição foi sendo concebida a partir desses estímulos. Não há propriamente uma curadoria, há objetos, obras de arte, fotografias, textos, poemas – em comum o fato de estarem expostas por terem sido, todos, um ato de criação, um esforço pessoal e um desejo de participar dessa ‘cerimônia’ de comemoração aos 50 anos de carreira de Bethânia. Comemorar a artista é também comemorar o desejo da construção e a valorização de um Brasil mais genuíno e ético. Cá estamos, todos, nessa construção coletiva – utópica”.

Dentre os vários artistas com obras na exposição estão Alexandre Dacosta, Alexandre Sá, Carlos Bracher, Chico Cunha, Daniela Mattos, Hélio Eichbauer, Irmãos Campana, Luiz Áquila, Malu Fatorelli, Mana Bernardes, Maria Luisa Mendonça, Maurício de Sousa, Paulinho Moska, Ricardo Basbaum, Suzana Queiroga, Vicente de Mello e Ziraldo. Estes são apenas alguns dentro de uma enorme constelação: a exposição conta com 980 fotografias, 302 obras e 120 objetos de 160 artistas e fotógrafos, espalhados pelas doze salas do Paço Imperial. A primeira obra a ser observada é de Elisa Bracher, obra símbolo da exposição, sem título – um enorme barco, com duas toneladas, que busca seu equilíbrio tênue para permanecer barco, obra símbolo da exposição. A mostra ocupa todo o primeiro andar do Paço Imperial, inclusive as áreas de acesso e corredores de serviço, criando um espaço circular – onde o visitante escolhe o seu percurso. “Queremos que a exposição não tenha princípio e fim, que a trajetória remeta necessariamente o visitante a um círculo infinito. Não há passado, presente e futuro, não há começo, meio e fim; há uma trajetória criada a partir do desejo de cada visitante”, explica Bia.

O público também poderá ouvir, em fones de ouvido, canções criadas para a intérprete por jovens compositores como Pedro Sá, Moreno Veloso, Leo Tomassini, Rubinho Jacobina, grupo Tira Poeira e Ivor Lancellotti, além de uma preciosidade em áudio: uma entrevista inédita de Fauzi Arap.

Além dessas obras em suportes variados, Bia Lessa criou uma instalação, a partir de 100 casas de madeira de 40 x 40 construídas por Getúlio (artista popular carioca) que estarão em diálogo com um céu coberto por 22.000 sacos de água envelopados pelas receitas de Dona Canô – num espaço destinado a Santo Amaro da Purificação, onde sagrado e profano caminham juntos.

A programação da mostra inclui, também, saraus aos sábados e domingos, às 16hs, com lotação de 80 pessoas (senhas no local a partir da 13hs) com os músicos Egberto Gismonti, Moreno Veloso, Pedro Sá, Jorge Mautner, Rubinho Jacobina, Tira Poeira, Ivor Lancelloti, Jaime Além, Andre Mehmari e Banda Afro Cultural Ojuobáaxé. E contará, ainda, com uma mostra de filmes e vídeos e DVDs de Maria Bethânia, todos os dias das 13hs às 17hs (senhas no local), entre eles “Quando o Carnaval Chegar” (1972, Cacá Diegues), “Bethânia Bem de Perto” (1976, David Neves, Eduardo Escorel e Júlio Bressane), “Doces Bárbaros” (1976, Tom Azulay), “Brasileirinho” (2004, André Horta) e “(O Vento lá Fora)” (2014, Márcio Debellian).

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