Arte brasileira latino-americana ou contemporânea? Veja entrevista exclusiva com a Phillips

Lygia Clark, Contra Relevo (Objeto N. 7), 1959

A Phillips, como uma das maiores casas de leilão do mundo, acaba de tomar algumas decisões importantes no segmento de arte latino-americana.
Agora obras de arte brasileiras serão incorporadas aos leilões de arte contemporânea.

Veja abaixo a entrevista exclusiva com a diretora regional no Brasil, Candida Sodre, a Vice-Presidente, Américas e Chefe de Desenvolvimento de Negócios de Nova York, Vivian Pfeiffer e a Chefe de Arte latino-americana de Los Angeles, Kaeli Deane.

1- (Dasartes) Os brasileiros sempre sentiram que sua cultura e sua arte não cabem bem sob o rótulo “latino-americano”, talvez devido à diferença de linguagem e patrimônio. Essa percepção teve alguma coisa a ver com a decisão de Phillips de oferecer arte latino-americana em suas vendas contemporâneas e temáticas?

(Candida Sodre) Havia no mercado uma certa resistência a esse título de Latino Americano e talvez os próprios artistas contemporâneos se ressentissem do fato de não pertencer aos grandes leilões internacionais .
A ideia foi integrar os leilões e com isso abranger uma audiência maior para essas obras . Colecionadores não estão mais focando numa só categoria de arte; temos visto com mais frequência que compram numa variedade de segmentos…
É com essa percepção que a Phillips vem incluindo estrategicamente obras brasileiras importantes em leilões internacionais e tem sido um sucesso.

2- (Dasartes) Quais são as expectativas da Phillips sobre o futuro dos artistas brasileiros no mercado internacional?

(Candida Sodre) Acredito que com Tarsila do Amaral “Inventando a arte Moderna no Brasil” no MOMA, Helio Oiticica recém exposto no Whitney e Lygia Pape no Met Breuer – a arte brasileira nunca mais será vista da mesma maneira.
A Phillips tem contribuido de uma maneira significativa para esta mudança no cenario internacional, incluindo obras de artistas “latinos” e está empenhada em divulgar e promover os artistas dessas regiões.
Ficamos entusiasmados com o recente sucesso dos artistas brasileiros nos leilões do século 20 e de arte contemporânea. Ampliamos o alcance da arte latina aos colecionadores que tradicionalmente lançavam em artistas europeus – demonstrando que a integração é o próximo passo lógico. Agora, será uma plataforma verdadeiramente global, para comprar e vender este segmento.

3- (Dasartes) Nós percebemos que a Phillips tem defendido certos artistas muito bem sucedidos ao longo dos anos. Podemos esperar que algum artista brasileiro receba esse tipo de atenção da Phillips?

(Candida Sodre) Posso apostar que sim. Existe um interesse muito grande pela arte brasileira do século 20, pelos concretistas e neoconcretos, pelo pop, pelos artistas que brilharam nos anos 60 mas também pelas novas estrelas contemporâneas.
No último grande leilão de Nova York, um Parangolé de Helio Oiticica bateu recorde sendo vendido por USD 615,000. Antes dele, uma Mira Schendel foi arrematada por USD 970,000 superando todas as suas marcas em leilão. Queremos repetir o sucesso desses e estamos nos empenhando para que isso aconteça!

Candida Sodre

(Vivian)
Vivemos em um mundo global, com acesso à internet. Colecionadores da Ásia, Europa, Estados Unidos e América Latina estão em constante contato com o mundo da arte através da Internet, feiras de arte, galerias e casas de leilão. Os artistas também são representados por galerias regionais e internacionais, e eles viajam constantemente pelo mundo. Os colecionadores mais jovens também não possuem barreiras geográficas e se vêem como cidadãos do mundo. Principais museus em Nova York, Londres e outros lugares têm apresentado um grande número de retrospectivas de artistas latino-americanos.
Assim, nossa decisão de integrar os dois departamentos. E a decisão foi bem recebida. Recebemos excelentes comentários.

(Kaeli)
Desde a nossa primeira venda da América Latina em 2009, a Phillips sempre se dedicou a apresentar a arte brasileira da mais alta qualidade dos séculos 20 e 21. Reconhecemos o enorme apelo internacional da arte brasileira moderna e contemporânea e estávamos determinados a posicioná-lo na vanguarda das nossas vendas na América Latina. Isso levou a resultados excepcionais, incluindo o recorde mundial de leilões para uma obra de arte brasileira, alcançada pelo Contra Relevo de Lygia Clark (Objeto N. 7) em 2013. Desde então, começamos a incorporar obras-primas brasileiras nas vendas do século 20 e Arte Contemporânea também com grande sucesso, incluindo obras de Mira Schendel e Hélio Oiticica. Estamos entusiasmados por agora incorporar totalmente a arte latino-americana dessa maneira. Isso começou com nossa New Now Sale em 28 de fevereiro, onde oferecemos 25 obras de arte latino-americanas, vendendo 92% para colecionadores de todo o mundo.

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