Após 14 anos, o icônico artista francês Daniel Buren volta a apresentar individual no Rio.

A Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro tem o prazer de apresentar a individual do francês Daniel Buren. Conhecido no mundo todo por suas intervenções públicas com listras brancas e coloridas, sua marca registrada, o icônico artista conceitual foi exibido pontualmente no Brasil (na Bienal de São Paulo em 1983 e 1985 e no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica em 2001). Após 14 anos sem uma mostra inteiramente dedicada a seu trabalho, ele exibirá entre 24.03 e 02.05 intervenções criadas especialmente para o espaço da galeria em Ipanema.

Formado na École des Métiers d’Art em 1960, Daniel Buren abandonou a pintura em 1965 em favor de uma arte fortemente conceitual, calcada na economia de elementos, definidos por listras brancas alternadas a listras coloridas. Inicialmente, o artista usava um tecido já pronto, o que reforçava o caráter objetivo de seus trabalhos.

Com as listras brancas e coloridas como marca registrada, Buren foi desenvolvendo sua pesquisa pela aplicação do material em diversos suportes, passando para sua utilização na arquitetura dos espaços. Sancas no teto, paredes, colunas e outros elementos tinham sua presença deslocada ou ressaltada com o padrão.

O desdobramento da marca registrada de Buren em colunas foi uma nova evolução, gerando instalações icônicas, como a colunata listrada de preto e branco que povoa o vão central do Palais-Royal em Paris desde 1986. A obra abriu o debate sobre a implementação de obras contemporâneas em prédios históricos, a exemplo da pirâmide do Louvre, do arquiteto Ieoh Ming Pei, cuja construção foi concluída três anos depois do trabalho de Buren.

Desde o início do novo século, Buren expandiu sua pesquisa com cores, ampliando a gama de padronagens e utilizando listras de cores sem a intervenção do branco. Também passou a utilizar jogos de espelhos e transparências para permitir a reflexão da luz e a projeção da cor dentro dos ambientes, como na incrível instalação criada para o Grand Palais em 2012. Nela, a claraboia foi acrescida de vidros azuis alternados aos transparentes, projetando uma padronagem xadrez sobre o chão. Ainda, inúmeros discos de vidro coloridos dispostos sobre colunas permitiam ao público passar por baixo deles, aumentando os efeitos de cor.

Para a Galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro, além de criar uma instalação inédita nos moldes de suas instalações mais recentes, Buren deve utilizar a claraboia do corredor para criar seus jogos cromoluminosos, em que o espectador vê sua percepção cotidiana ser alterada para uma nova ordem, que remete ao lúdico.

Sobre o artista:

Nascido em 25 de março de 1938, na cidade francesa de Boulogne-Billancourt (onde vive e trabalha ainda hoje), Daniel Buren tornou-se um dos grandes nomes da arte conceitual dos anos 1960-70 até a atualidade. Formado pela École des Métiers d’Art com breve passagem pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Daniel Buren começou com trabalhos em pintura nos anos 1960 para abandoná-los em função de processos de incorporação de padronagens industriais a intervenções que interferem na percepção da arquitetura. Daí a criação de sua marca registrada, as listras brancas e coloridas de tecido de decoração. Atualmente, o desenvolvimento de sua pesquisa culminou na utilização da luz para produzir efeitos de cor em macroescala e no uso de espelhos para obter a modificação do espaço por meio da refração de imagem. Amplamente exibido ao redor do mundo, principalmente nos EUA, Europa e Japão, só no ano passado esteve em cartaz com as individuais “Buren: De un Patio a Otro: Laberinto”, no Hospicio Cabañas (Guadalajara, México); “Daniel Buren. Lavori Luminosi”, na Galeria Massimo Minini (Brescia, Itália); “Daniel Buren. Comme un Jeu d’Enfant”, no Musée d’Art Moderne et Contemporain (Estrasburgo, França); “Daniel Buren. Catch as catch can: works in situ”, no Baltic Centre for Contemporary Art; entre outras.

Sobre a galeria:

A Galeria Nara Roesler, uma das principais galerias de arte contemporânea brasileiras, representa artistas influentes da década de 1960, além de renomados artistas em atividade que dialogam com as tendências inauguradas por essas figuras históricas. Fundada em 1989 por Nara Roesler e por seus filhos Alexandre e Daniel Roesler, a galeria fomenta a inovação curatorial consistentemente há vinte e cinco anos, sempre mantendo os mais altos padrões de qualidade em suas produções artísticas. Para tanto, desenvolveu um programa de exposições seleto e rigoroso, criado em estreita colaboração com seus artistas; implantou e manteve o programa Roesler Hotel: uma plataforma para projetos curatoriais; e forneceu apoio contínuo a artistas além do espaço da galeria, trabalhando em parceria com instituições e curadores para apresentar iniciativas inovadoras e projetos empolgantes em exposições externas. Com um rol de artistas inovadores – como Abraham Palatnik, Antonio Dias, Hélio Oiticica, Paulo Bruscky e Tomie Ohtake – e uma nova geração liderada por Artur Lescher, Carlito Carvalhosa, Lucia Koch, Marcos Chaves, Melanie Smith e Virginia de Medeiros, a galeria mantém seu compromisso de preservar o legado de figuras históricas e incentivar a prática de artistas iniciantes e consagrados nos âmbitos local e internacional. Além de duplicar seu espaço expositivo em São Paulo em 2012, em 2014, a galeria abriu sua nova filial no Rio de Janeiro, cumprindo sua missão de participar do mundo das artes de forma ativa e influente.

Abertura
24.03.2015 19h > 22h

Exposição
25.03 > 02.05.2015
seg > sex 10h > 19h
sáb 11h > 15h

 

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