Em um dia ensolarado de maio de 2007, Yana Tamayo foi para a frente do recém-inaugurado Museu Nacional da República, projeto arquitetônico de Niemeyer localizado na Esplanada dos Ministérios, tirou da sacola objetos de plástico de cozinha comprados em uma loja de R$ 1,99, tirou as fotos com estes objetos em primeiro plano, recolheu-os, devolveu-os à sacola e foi embora. “Não se trata do registro de uma intervenção que, na verdade, é invisível frente à imponência da arquitetura, mas sim de um efeito de escala que só pode ser obtido a partir da fotografia.”

Eclipses (Ocupações) é uma série composta por dois grupos de quatro fotografias, cada uma medindo 33cmx45cm, numa espécie de brincadeira, ilusão, que parece permitir acessar certa ironia. “Pelo que observei nas exposições, a primeira reação é de riso”, conta a artista plástica, “mas o artifício é muito evidente, não se tenta disfarçar ou fingir que é uma verdade. Para mim, era uma maneira de contrapor a perenidade da arquitetura, sua imponência, monumentalidade, ao descartável, comum, cotidiano, que está próximo da maioria das pessoas”.

Yana cursou faculdade de Belas Artes na UFMG e atualmente é doutoranda no Instituto de Artes da UNB. Nascida em Brasília, cidade atípica em que a arquitetura está diretamente relacionada a uma ideia de modernidade e progresso, considera o concretismo e o neoconcretismo como uma matriz incontestável para sua arte, além do minimalismo e dos fotógrafos alemães da Escola de Dusseldorf. Sendo a fotografia o campo onde explora diversas possibilidades: “Acho que a fotografia me ajuda a entender várias formas de trabalho, ela está sempre dentro do processo, ainda que não seja o produto final”.

Para conhecer melhor o trabalho da artista: http://yanatamayo.multiply.com/photos

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