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DASARTES 03 /

X Bienal de Havana

O Retorno Esperado

Depois de três anos de vicissitudes e percalços desde a edição anterior de 2006, a X Bienal de La Habvana voltou, e com ela o compromisso de ser novamente um acontecimento artístico feito das margens da institucionalizada cena da arte contemporânea, , apostando em uma maior independência do mainstream estético.

Os seus 25 anos também são simbólicos. E o jubileu é uma vitória, por motivos óbvios: dificuldades internas conhecidas, outras derivadas da atual crise financeira e três furacões que assolaram Cuba no ano passado. Daí que os esforços necessários para a realização desta Bienal não foram poucos. Talvez consciente de ter sido um exemplo a ser seguido pelas bienais mais novas, a Bienal de Havana sempre procurou escolher um leif motiv cujo questionamento fosse de alcance universal, de interesse comum. Seguindo esta linha, esta edição situa a tão comentada globalização sob perspectivas diversas (sóciosocio-cultural, ecológico-política, tecnológico-científica), focalizadas no binômio Integração integração e Resistênciaresistência, como um jogo de forças. Em outras palavras, um convite a às análises cultural e social dos âmbitos da arte, na medida em que esta problematização dos fenômenos angustiantes de nossa época pede um imaginário estético em sintonia com a atual situação crítica.

Apesar de certa ênfase nos países subdesenvolvidos -, na produção do Caribe e da América Latina, mostrar “representações” artísticas do mundo todo, no fundo, é o que se procura com uma “diversidade” estética independente e desterritorializada.

Neste contexto, alguns artistas convidados com mostras em espaço especial – León Ferrari, Paulo Bruscky, Luis Camintzer Camnitzer ou Sue Williamson – atingem uma coerência histórica, pois a aliança entre a política e a poética se produz-se de forma instigante. Infelizmente, este não é o caso de outras participações individuais em que o álibi da referência social ou política produz trabalhos de contra-propaganda, uma visualidade isenta de linguagem. De fato, o caráter de algumas propostas parecem pertencer mais ao âmbito dos estudos culturais que da história da arte.

Como outras possibilidades menos denotativas, e numa grande diversidade de direções, há uma enorme lista de trabalhos em que a oportunidade do tema da Bienal cumpre seu objetivo estético e ético: a reciclagem grotesca de produtos comerciais de Diego Bianchi ou, a ironia consumista com a história da arte de Lluis Barba, ou ainda a objetualidade cultural de Raúl Quintanilla. A instalação com arroz e feijão de Lucía Madriz ou de matériaismateriais-esculturas de Ishmael Randall Randall-Weeks e as enigmáticas vídeovideo-instalações de Minnette Vári, Chen Xiaoyoun ou Boris Groys, entre muitos outros, elevam o padrão deste encontro.

A divisão espacial da X Bienal da de Habana Havana ocupa literalmente a cidade de Havana, por integrá-la através por meio de 3 três frentes expositivas: utilizando a imensa e fragmentada fortificação de La Cabaña, ; para o maior caudal coletivo de artistas, programando mostras em centros históricos em diversos pontos da cidade, ; e ocupando ruas e praças onde ocorrem performances e intervenções. Caso de Kcho, em parceria múltipla, ou as atividades performáticas de artistas latinos como Guillermo Gómez-Peña, Pepón Osório ou Abraham Cruz Cruz-Villegas, inter-atuando com a comunidade ou a cidade.

O lado gráfico, sempre uma constante na produção visual da cultura cubana, oferece uma tríade expositiva com a mostra do mestre japonês Shigeo Fukuda -– com cartazes que convidam o espectador a um jogo de cumplicidade visual inteligente –-, uma presença de originais cartazes originais em ruas da cidade velha e um ateliê educativo do cubano Antonio Martorell no Taller de Experimental de Gráfica de Havana.

Aliás, os projetos coletivos, oficinas e homenagens são uma extensão importante da Bienal. São muitas as participações as que se compreendem neste perfil comunitário, onde em que a identidade artística subjetiva se dilui ou adquire uma voz coral. É o caso de numerosas propostas em vídeo (Tinieblas, sobre a violência) ou de obras feitas em parceria (Coletivo Lalimpia, do Equador). Também é o caso do Taller Cátedra Arte de Conducta de Tania Bruguera (misto espécie de experiência educativoartístico-artísticaeducativa), ou de algumas mostras como Latitudes, Tierras del Mundo ou El maiz Maíz es Es nuestra Nuestra vida Vida (México), ainda que ambas sejam deficitárias em seu resultado global . Mas não é o caso de Tales from the new New worldWorld, que mexe comtrata de um universo da comunicação de satélite, em de como é afetada nossa percepção por estas conexões: caso do. Assim como o site specific do coordenador Humberto Diaz, um enorme Tsunami de telhas ou o mapa digitalmente manipulado de Satomi Matoba ou ainda a intervenção urbana documentada de Maria Victoria Portelles, como novas indagações perceptivas.

A produção cubana ganha também uma representação notável com duas mostras importantes: uma que liga as poéticas pictóricas de Wilfredo Lam, Raul Martinez e José Bedia e outra de fotografias com intervenção e outros objetos de Carlos Garacoia, uma verdadeira influência no cultivo de esquemas e arquiteturas por outros artistas cubanos.
No leque de propostas do Brasil, destacava-se a performance coletiva de Ronald Duarte, as singelas instalações de Efrain Almeida ou e José Paulo, a desconfiguração electrônico-visual do mapa-mundi múndi de Ângela Angela Detânico Detanico e Rafael Lain ou e as instigantes composições-caixa de luz de Luiz Simões, entre outros. Tunga, sempre tão atento às novas produções estéticas, também estava lá, como um dos visitantes ilustres desta ressuscitada Bienal.

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