No trabalho Duas notas contra uma (2012), do artista visual Vijai Patchineelam, o instante que precede a queda de uma cadeira situada em um quarto vazio é registrado através de dois ângulos distintos, por uma câmera de vídeo e por uma câmera fotográfica. A instalação cria um espaço singular, um díptico composto por diferentes meios – a fotografia e o vídeo – unidos pela situação que ambos enquadram. “Ao disparar a câmera fotográfica, o estouro do flash ilumina todo o quarto, que antes se encontrava escuro, marcando o exato instante também na gravação da câmera de vídeo”, conta Vijai que, embora seja um “jovem artista”, já teve o seu trabalho exposto nos Estados Unidos, Suécia, Croácia, Índia, Chile e Bolívia, além de no Brasil.

Vijai intervém no espaço contemporâneo privilegiando o registro de pequenas intensidades, momentos sutis de tensão e desequilíbrio. Sua abordagem multimídia lança mão de uma série de linguagens e suportes, como a fotografia, o vídeo, a pintura e o livro. Desta forma, seu trabalho, além de absorver qualidades estéticas de diferentes meios, parece contribuir para o questionamento e a desestabilização dessas categorias, que buscam distinguir e classificar as práticas artísticas. Sobre a forma como suas obras são percebidas pelo espectador, o artista afirma: “imagino que um trabalho se desdobra e é entendido possivelmente de maneiras diferentes”. Ampliando o foco tradicional de significação da obra, Vijai defende que este entendimento não resulta apenas da experiência direta do espectador com trabalho, mas insere-se em um sistema mais amplo de práticas e ideias que incluem também “a exposição, os textos, sua documentação e a fala”.

O trabalho do artista está atualmente em exposição na coletiva Convite à viagem, que fica até o dia 19 de maio no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

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