© Roberto Ribotta

Em dezembro a conhecida feira de arte contemporânea Miami Art Basel comemorará seu décimo aniversário. Nesta última década tornou-se um dos eventos mais prestigiados das Américas – juntamente com a “irmã mais velha” da Suíça, consolidou-se como uma das mais importantes vitrines do circuito das artes mundial.

A edição deste ano reunirá cerca de 260 galerias de todo o mundo, e a atração maior não será somente o acervo exposto dos mais de dois mil artistas presentes, mas sim a programação paralela criada especialmente para celebrar este décimo aniversário.
Além das diversas feiras-satélite que acontecem na mesma semana – como Volta, Pulse, Scope e Nada, entre outras – as comemorações ficarão a cargo da parceria firmada entre a organização do evento e o Bass Museum of Art. Obras de arte serão instaladas ao longo da Collins Park Avenue, em Miami downtown, e a seção da feira destinada a obras que usam o vídeo como plataforma ganhará um cinema especialmente desenhado pelo famoso arquiteto canadense Frank Gehry. Ali, o público poderá desfrutar de exibições públicas de vídeo durante a feira.

O visitante desta edição da Miami Art Basel vai encontrar o que de mais contemporâneo existe quando o assunto é arte dos séculos 20 e 21, além das já esperadas exposições das coleções de arte privadas, como De La Cruz, CIFO, Rubell Family Collection e Margulies Collection. Grandes galerias – como Gagosian, White Cube, Yvon Lambert e Lisson – também estarão presentes. Apesar da preocupação econômica que atinge principalmente os países europeus – estamos falando de investidores e colecionadores – o mercado de arte está se fortalecendo, através de interessados em buscar uma maior liquidez para seu dinheiro.

O mundo da arte se encontra em Miami neste fim de ano, e o inglês já não é a única língua dos negócios. Cada vez mais habla-se español pelos corredores – não se sabe ao certo por ser o castelhano o segundo idioma da cidade ou pelo boom que a arte latina alcançou nos últimos tempos. Fato é que os números apontam para uma grande procura e especulação das obras do hemisfério abaixo do Equador. O ponto alto aconteceu este ano, na feira de Basiléia, quando a obra Abrigo Poético 3 da brasileira Lygia Clark foi negociada por 1,8 milhão de euros (cerca de R$ 4,1 milhões). Por isso, espera-se que em Miami um novo patamar para a arte do nosso país seja atingido.

O inédito valor pago por uma peça de Lygia Clark não é o único reflexo da alta do Brasil no mercado internacional. Este ano o país será um dos mais bem representados, com 16 galerias brasileiras presentes: A Gentil Carioca, Anita Schwartz , Baró, Casa Triângulo, Dan, Fortes Vilaça, Laura Marsiaj, Leme, Luciana Brito, Luisa Strina, Marilia Razuk, Millan, Mendes Wood, Nara Roesler, Silvia Cintra + Box 4 e Vermelho.
A organização da feira também espera ultrapassar o número de 40 mil visitantes atingido na ultima edição. Miami Art Basel, juntamente com outros eventos do mesmo porte como Frieze (Londres), Armory (Nova York) e Art Hong Kong funciona como um termômetro para as tendências do mercado de arte, com reflexos em outros setores. A edição chinesa foi recentemente comprada pelo MCH Group, o mesmo que gerencia as feiras da Basiléia e de Miami.

Vale destacar a tendência que está sendo chamada de Arte/Design. A feira satélite Miami Design é uma das mais concorridas – tanto que este ano aconteceu por aqui a primeira edição da Design São Paulo, paralelamente à São Paulo Fashion Week, seguindo os mesmos moldes do evento na Flórida e que promete ser outro importante acontecimento do setor.

 

 

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