© Alicia Ayala

Água Grande: Os Mapas Alterados é o título da 5ª Bienal Latino-americana de Artes Visuais – VentoSul, que acontece de 8 de agosto a 11 de outubro em Curitiba, com curadoria de Leonor Amarante e Tício Escobar. Ocupando diversos espaços museológicos, mas também parques, praças e ruas, a mostra convida-nos a caminhar pela cidade, a percorrer lugares, mas também a acompanhar trajetórias.

Entre pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, instalações e vídeos, destacam-se alguns trabalhos processuais e performances, obras que se desdobram no tempo. É o caso do trabalho Moment, de Yukihiro Taguchi, artista nascido no Japão, mas que vive atualmente em Berlim. Ele participou em Curitiba da demolição de uma casa no Bairro Alto da Glória e, com o material, montou outro espaço no pátio do Museu da Gravura. Parte deste material é reordenada por ele de tempos em tempos, ou ainda transferida para outros espaços públicos, onde o artista interfere por um período curto. Os novos espaços tornam-se lugares de encontros sociais e interações; tudo é registrado em vídeo e provavelmente será apresentado em outro lugar, como acontece nesta mostra, que tem as instalações convivendo com vídeos da demolição e de outro trabalho similar do artista, realizado em Berlim.

Este trabalho mutante, que só o próprio artista pode perceber como um todo, divide os espaços do Museu da Gravura com diversas obras, entre elas Dancer, escultura em bronze do artista inglês Tony Cragg; Mapping the Studio I (Fat Chance John Cage), uma videoinstalação de Bruce Nauman; e Carta de Marear, um trabalho de Pablo Uribe. Ainda neste contexto de deslocamentos possíveis, destaca-se a instalação do artista cubano Kcho, formada por uma sala de aula que teve todos os seus equipamentos suspensos com o uso de remos.

Se a ideia de movimento conduz algumas das discussões da Bienal, a performance é outra estratégia artística que está por toda a parte, geralmente como vestígio de ações que ocorreram na abertura do evento ou como indicação de outras ações possíveis. O cheiro, a forma e a presença do corpo são vestígios sugestivos no trabalho Reprogramming Levitation Module, de Marina Abramovic, no Memorial da Cidade.

Um olhar em perspectiva, que contemple as discussões sobre arte contemporânea em Curitiba, certamente reconhece a importância deste evento. Mas este mesmo olhar, que registra referências históricas, como as doze edições da Mostra da Gravura e as três Bienais Internacionais de Fotografia realizadas na cidade desde a década de 1970, nos faz imaginar qual destes eventos se firmará como “A Bienal de Curitiba”.

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