© Casa Triângulo/São Paulo

Para o paranaense Tony Camargo, nascido em 1979, a pintura, hoje, “já nasce pronta”. Mas, vendo sua série de trabalhos na qual cria composições de pinturas sobre metacrilato casadas com fotografias, é como se ele quisesse dizer, ainda, que ela, parte naturalmente de qualquer cotidiano, está à espera de ser ressaltada, percebida, reverenciada, ativada.

Há algo de performático nessa série realizada desde 2007, já apresentada em exposição na Casa Triângulo, em São Paulo, como também há pura simplicidade. O artista concebe uma espécie de mise-en-scène, como destacou o crítico Artur Freitas, nas imagens fotográficas: ele se coloca em situações surreais – em meio à natureza ou ambientes internos – portando objetos banais, como balões ou roupas coloridas, sem nos deixar, muitas vezes, ver seu rosto. Depois, sobre a fotografia, justapõe a face da obra em estado de pintura mesmo. Ou seja, Camargo cria em uma lateral da imagem áreas planas de cor tal qual os quadros que realiza concomitantemente (suas “planopinturas”). A série explicita diretamente uma relação “corpo-cor” em “um mundo dominado pela imagem de massa”.

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