Felipe Camargo, qual a sua obra de arte dos sonhos?

“Sou um admirador dos impressionistas, especialmente Van Gogh. Gosto de suas pinturas noturnas. Se tivesse que escolher só uma, seria o Terraço do Café à Noite”.

Felipe Camargo é reconhecido nacionalmente por seus papéis inesquecíveis na TV e no cinema. Mas poucos conhecem o fotógrafo Felipe Camargo, que teve suas obras expostas recentemente na galeria TNT, no Rio de Janeiro. Uma de suas séries de fotografias foi realizada focando paisagens através de vidros molhados do carro em um dia de chuva. Distorcido pela água, o foco desmancha as imagens, tornando-as etéreas e surreais.

A visão desfocada da paisagem nas fotografias de Felipe é influenciada pelos mestres impressionistas, especialmente o holandês Vincent Van Gogh e seus contemporâneos Claude Monet e Edgar Degas. Felipe conta que foram suas pinturas que ampliaram seus interesses artísticos quando os descobriu aos vinte e poucos anos.

Este café ainda existe na cidade de Arles, localizada ao sul da França, a oeste da região de Provence. Hoje, o local foi rebatizado como Café Van Gogh e foi pintado de amarelo e verde para se assemelhar ao seu mundialmente famoso retrato. O local vive cheio. A cidade de Arles tornou-se um ponto turístico na rota dos amantes das artes, em particular do impressionismo, depois que, no início de 1888, Van Gogh mudou-se para uma temporada por lá.

Um dos sonhos do pintor era transformar sua casa em uma residência de artistas como ele, que poderiam ir ao sul da França aproveitar a bela e quente luz do verão mediterrâneo, além de trocarem experiências artísticas. O primeiro e único pintor que lá residiu foi Paul Gauguin, que se instalou na casa amarela de Vincent entre outubro e dezembro de 1888. Sabe-se que este foi o início de nove semanas de convivência conturbada, que culminou com o famoso corte de uma orelha por Van Gogh na noite de Natal de 1888. Mas antes do desentendimento, Paul e Vincent descobriram algumas afinidades artísticas, tendo inclusive pintado os mesmos temas. Outras telas de Gauguin e Van Gogh mostravam o café por dentro, sua atmosfera solitária e tristonha exacerbada pela postura desanimada de seus clientes. Em Terraço do Café à Noite, a luz quente que emana do café dá a impressão inversa, de um local acolhedor e alegre; uma pintura noturna em que a cor negra não é usada. O calor das cores teria sido influência da obra Avenue de Clichy, Cinco do francês Louis Anquetin, amigo com quem Van Gogh gostava de trocar dicas sobre pintura. Na tela de Van Gogh, vemos o brilho palpável das estrelas, efeito que Felipe Camargo buscou construir em suas fotografias usando a água como filtro de distorção.

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