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A foto acima registra o salto de Sofia Caesar no vídeo Seres, filmado pela própria artista plástica, que se encontra no fundo de um espaço vazio, entre portas e corredores. Inicialmente contendo 80 frames, assistimos ao movimento repetido esse mesmo número de vezes, porém, com uma diferença: a cada vez que se suprime um frame, o filme vai sendo constringido, invertendo-se em tela preta. O vídeo em loop remete à ideia da Fita de Möbius, cujo fim emenda com o início. A ação se deu em um apartamento que estava para alugar, adicionando-lhe simbolismo por se ocupar desse espaço “entre”; “em espera”: alguém morava ali e em breve ele voltará a ser habitado. Aliás, Sofia participa de um grupo que vem realizando ações em imóveis para alugar. Seres participou da 8.ª edição do Abre Alas, da Gentil Carioca, no início do ano, e do Salão de Abril, em Fortaleza.

Desenvolvendo trabalhos que se dão na fronteira entre a dança contemporânea e as artes visuais, Sofia parte de inquietações como a efemeridade do corpo e do movimento e a impossibilidade da representação, tentando capturar momentos/movimentos em essência “incapturáveis”. Essa tentativa de captura, por ser fadada ao fracasso, gera um desvio. Desse desvio surgem mundos, corpos, movimentos, coreografias, que são possíveis somente por meio da edição, na esfera narrativa e construída do vídeo. O trabalho se constitui nesses parâmetros assim como gera outros questionamentos: a relação do corpo com a arquitetura doméstica, a sensação de falsa segurança, o sublime, e a virtualidade do tempo. Sofia Caesar cita os trabalhos da coreógrafa Ivana Müller, do grupo iamamiwhoami, e do artista Julian Rosefeldt como inspiração.

Para assistir ao vídeo e conhecer outros trabalhos da artista, acesse: http://cargocollective.com/sofiacaesar

 

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