© Galeria Virgilio

Uma atmosfera enigmática, uma “temporalidade inexata” nas fotografias de Sofia Borges faz intrigar o observador. Desde 2005, quando optou pela técnica digital para criar seus trabalhos, a artista – que não se considera uma fotógrafa – vem questionando a imagem.

De noite ou de dia, ou no interstício dessas duas situações de luz, as figuras, em seus retratos, apenas estão em lugares como os do ambiente doméstico (na cozinha, no quarto), em uma piscina, em um jardim – e, em boa parte dessa pesquisa, Sofia coloca-se sozinha em autorretratos, segundo ela, feitos pela impulsão de estudar sua relação com o mundo. Mas há também trabalhos em que a artista retrata uma cena da paisagem, sem indivíduo, em uma maneira de não aprisionar os limites de sua investigação. Enfim, não importando o tema, sempre em seus trabalhos o tempo, o objeto e o lugar ficam como que em um estado de suspensão, afastando-se do instante fotográfico, como é o objetivo de Sofia. De certa forma, ela faz a construção das imagens tal como se realiza a construção de uma pintura.

“Para mim, o tempo dessa fotografia é tão espesso que impede ao observador se projetar para dentro da imagem. Ele só faz observar algo denso e fragmentado”, define a artista. Jovem, nascida em 1984, em Ribeirão Preto, Sofia Borges já possui o reconhecimento pela série de exposições que vem realizando. Sua primeira individual foi no Centro Universitário Maria Antonia, em 2008, ano em que se formou em artes plásticas pela USP. E já neste ano de 2009, a artista, representada pela Galeria Virgilio, foi uma das selecionadas do projeto Rumos Itaú Cultural. Além disso, acaba de ganhar o Prêmio Porto Seguro de Fotografia na categoria Pesquisas Contemporâneas, entre outras tantas mostras e premiações. Atualmente, até 11 de outubro, ela faz exposição no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

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