© Silvestre Silva

DASARTES 19 /

Signos de Valentim

Rubem Valentim tem suas obras expostas no MAM da Bahia.

Rubem Valentim morreu em 1991, e nenhum outro artista soube, como ele, miscigenar
as correntes culturais negras e brancas que singram a arte brasileira – mistura essa que poderá ser conferida (onde mais?) – no Museu de Arte Moderna da Bahia até 12 de fevereiro.
São obras de diferentes fases do artista baiano, incluindo trabalhos do início de sua carreira,
nos anos de 1950, até a década de 1980, que pertencem ao acervo do MAM-BA e a coleções
particulares.

São telas, serigrafias, esculturas e relevos ocupando não apenas o Casarão como também a
Capela do MAM-BA. A curadoria, da diretora do MAM-BA, Stella Cardozo, e do artista visual,
arquiteto e poeta Almandrade, deixa em evidência o caráter místico, o diálogo com a cultura
popular e religiosa e a dimensão antropológica da obra de Valentim.

“A inserção do conjunto de esculturas Templo de Oxalá no espaço do Casarão vai potencializar
o caráter monumental de sua obra, promovendo um diálogo com outro elemento – arquitetônico e escultórico – presente no espaço da exposição: a escada, construída durante a
reforma do Solar do Unhão [onde está instalado o MAM-BA] realizada por Lina Bo Bardi na
década de 1960. A integração entre arte, ecologia, arquitetura e urbanismo foi sempre
desejada por Rubem Valentim”, diz Stella.

Dos quatro aos treze anos, vivi à rua Futuro do Tororó, onde morava gente de classe média e também gente muito pobre e humilde. Cresci tomando consciência das diferenças de classe, de dinheiro sempre escasso e das injustiças que marcavam meu pequeno mundo. […] Durante as festas juninas era um não-acabar de fazer balões de papel colorido, bem como altares de Santo Antonio decorados com recortes de papel de seda e folhas douradas. Mas de todos meus encantos infantis nenhum se comparava ao de fazer presépios. Mundo poético, popular, de
cor e riqueza imaginativas, que ficou em mim e influenciou profundamente minha arte […].O baiano, para sua felicidade, é católico e animista.

SERVIÇO
Rubem Valentim
Museu de Arte Moderna da Bahia
Até 12 de fevereiro
De terça a domingo, das 13h às 19h
Sábados, das 13h às 21h

 

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