A série Mobiles, do paulista Shima, é composta por fragmentos de paisagens capturadas pela câmera do celular do artista em uma viagem feita à Europa, em 2010. “De tempos em tempos, fotografava a tela do meu celular. Na época em que fiz os registros, não imaginava que pudessem virar um trabalho”, conta o artista, que em quatro meses percorreu dez países. De volta ao Brasil, Shima usou as imagens para compor o trabalho – “somente um ano depois é que entendi meu interesse nas imagens, formalizando a obra.”

Quando organizados em série, os registros visuais dos lugares por onde passou – estradas, estações de trem, metrô, bares, o quarto onde se hospedou – assumem um caráter ao mesmo tempo narrativo e documental. Entretanto, as imagens, sozinhas, pouco dizem a respeito do contexto onde foram originadas. A estação de metrô, com seu chão cinza, seus bancos vazios, a linha amarela que impede que se aproximem do vão do trem, as placas verdes de avisos e os painéis luminosos com propagandas, poderia pertencer a qualquer cidade do mundo. O que situa essas paisagens no tempo e no espaço são as informações da tela do aparelho que, sobrepostas às imagens capturadas pela câmera, indicam data, hora e local.

A sensibilidade do tempo, do espaço e do contexto, a inserção do homem em seu entorno, a questão de “como estar no mundo”, são temas recorrentes no trabalho do artista, que usa a performance como forma de investigar (e desnaturalizar) práticas cotidianas e procedimentos convencionais da atualidade. Partindo das performances, Shima aproveita os seus desdobramentos, sejam eles instalações, objetos, videos ou fotografias para propor novos recortes do cotidiano contemporâneo – “a mídia pouco importa, se é pintura, gravura, escultura, vídeo, performance ou instalação. A idéia se faz existir em qualquer materialidade”. O artista afirma, ainda, que é possível fazer arte com qualquer material ou, até mesmo, sem material algum – “com criatividade e/ou inteligência (melhor se ambos combinados), percebe-se que arte também é imaterial”.

Para saber mais sobre o trabalho de Shima, acesse www.shima.art.br.

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