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Dar formação artística e cultural a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Este era o objetivo de Roberto de Mello ao ingressar em 2008 no curso “Desenvolvimento e Gestão Cultural” do programa “Pensar e Agir com a Cultura”. Coordenado pelos professores universitários José Márcio Barros e José de Oliveira Júnior, o curso é gratuito e promovido em parceria com a Fundação ArcelorMittal Brasil nas cidades mineiras de Sabará, Belo Horizonte, Bom Despacho, Contagem, João Monlevade e Vespasiano.

“Já tinha a ideia de criar uma ONG quando entrei no curso e lá conheci outras pessoas com a mesma ideia”, conta Roberto, que, junto com outros sete colegas de curso, reativou a instituição Mosaico Centro de Arte e Cultura de Bom Despacho, estabelecida nos anos 1980. Além de criar o único projeto de cinema da cidade, o Cine Sesc Mosaico, o grupo recolocou em prática uma série de iniciativas artísticas, como as oficinas de arte e reciclagem, onde crianças e adolescentes aprendem técnicas de papel machê, pintura e escultura usando materiais recicláveis. “A ideia é expandir as atividades para que este projeto passe a promover a formação artística e cultural dos alunos, e não ser apenas uma forma de arte-terapia”, diz Roberto, arte-terapeuta por formação. A expansão se dará com a Organização Comunitária para a Cultura e Arte Bom Despachenses (OCCA BD). Este projeto prevê um numero maior e mais frequente de oficinas e cursos de arte e cultura – como pintura em tela e arte e reciclagem –, que serão gratuitos e abertos ao público das comunidades, contando em geral com quinze vagas por sessão semanal.

O reconhecimento do trabalho da Mosaico veio com o convite da prefeitura para auxiliar a organizar o Festival de Inverno, cuja primeira edição deve ocorrer este ano e reunirá diversas atividades culturais. Integrada ao Festival, a Mosaico pretende organizar uma mostra com os trabalhos feitos pelos alunos do projeto.

Assim como os diretores da ONG Mosaico, 150 alunos concluíram o curso “Desenvolvimento e Gestão Cultural” em 2008, que tem carga horária de 166 horas e foco na formação de gestores culturais para atuação em trabalhos coletivos. “Ao final das aulas, os alunos estão aptos a viabilizar projetos locais e regionais a partir da construção de parcerias”, afirma o professor Oliveira Júnior.

Com duração de aproximadamente seis meses, o curso é divido em três fases. Na fase teórica, são sete módulos: cultura, diversidade e desenvolvimento local, trabalho colaborativo em rede, planejamento estratégico 1 e 2, mecanismos de financiamento, cidadania corporativa e gestão de programas e projetos.

Na fase prática, o laboratório de projetos, os alunos levantam dados sobre a cidade onde frequentam o curso e identificam possibilidades de desenvolvimento cultural dentro das limitações e condições apontadas, baseadas em opções desenvolvidas no módulo teórico de planejamento estratégico. De posse deste diagnóstico, os alunos podem criar novos projetos ou desenvolver projetos existentes, contando com a supervisão dos professores. “O curso vai além de ensinar a preencher formulários. Aqui o aluno compreende cada etapa de uma intervenção cultural e se torna apto a identificar necessidades, criar, desenvolver e gerenciar iniciativas culturais”, completa Júnior, que enfatiza a importância de ações que sejam contínuas, e não apenas de eventos pontuais como festivais e mostras.

Na última fase, são desenvolvidas oficinas de imersão criativa, como aulas de fotografia, narração de histórias e danças circulares, com foco no aperfeiçoamento estético e técnico. Ao final do curso, os alunos são convidados a integrar a Rede de Gestores Sociais, que conecta os alunos de diversas cidades por onde o curso passou.
Para 2009, já está confirmada a parceria da Fundação ArcelorMittal Brasil para a realização do curso em Juiz de Fora. “Estamos em fase de negociação em nove cidades, com abertura de 360 vagas ainda neste ano”, ressalta o gerente de Arte e Cultura da Fundação, Marcelo Santos. Para participar do processo seletivo, os pré-requisitos são ensino médio completo ou em andamento e atuação nas áreas de arte e cultura, educação, comunicação, gestão e negócios. O critério de seleção envolve a análise do currículo e do texto elaborado pelo candidato sobre o interesse e compromisso de participar das aulas. “Mais do que dar apoio para a realização de espetáculos, o desafio maior é a formação de uma rede de gestores para consolidar a arte como fator de desenvolvimento local”, conclui Santos.

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