“A razão para trabalhar é descobrir o que não sei. Não quero reciclar o que já sei.”

“Eu não começo meu processo de trabalho com uma intenção clara e óbvia. Um trabalho será inútil se não for mais do que uma ilustração do que projetei. Através de cada trabalho espero ampliar minha linguagem. A razão para trabalhar é descobrir o que não sei. Não quero reciclar o que já sei. Não há quaisquer receitas metodológicas específicas e definidas. Porém, há uma predileção por materiais e princípios de gravidade, peso, massa, densidade e equilíbrio. Esses princípios, muitas vezes, são aplicados a determinado contexto. Na maioria das vezes, o local determina como penso sobre o que vou construir; se é um espaço urbano ou uma paisagem, uma sala ou qualquer outro ambiente arquitetônico.”

“Se ficar decidido de antemão que um trabalho não significará nada para você, você não conseguirá vê-lo.”

“Temos preconceitos incorporados e, com base neles, já concluímos o que há e o que não há para ser visto. Se ficar decidido de antemão que um trabalho não significará nada para você, você não conseguirá vê-lo. Se você não for capaz de ver, estará dada a base para censura em todos os níveis. A compreensão quase sempre acontece lentamente. (…) Os trabalhos que particularizam tempo e contexto demoram mais tempo para serem compreendidos. A identificação rápida destrói o conteúdo, pois ele está abaixo do limiar da consciência imediata. As obras site-specific não serão entendidas ao primeiro olhar. O processo de compreensão não é linear. Não é como ler um livro.

Acredito que devemos nos esforçar mais para compreender as obras às quais temos resistência. Temos que voltar e olhar essa obra de novo. Faça isto com Mondrian, Cézanne, Pollock ou qualquer outro que resista a rápidas análises. Há muitos artistas inacessíveis à primeira vista e, pois isso, muitas vezes as pessoas se afastam. Acho realmente necessário que sejamos diligentes na nossa busca.”

“O trabalho com aço – não como elemento pictório, mas como material estrutural e termos de massa, peso, contrapeso, capacidade de carga, carga pontual, compressão, atrito e estática – foi totalmente dissociado da história da escultura.”

“A história da escultura com solda neste século teve pouca influência em meu trabalho. Até meados do século, a maior parte da escultura tradicional baseava-se na relação da parte com o todo: os elementos de aço eram reunidos em uma espécie de colagem pictórica e de composição. Era uma maneira de pintar em três dimensões. Na maioria das esculturas, a solda era uma maneira de colar e ajustar partes que de outro modo não se manteriam unidas. Muito do equilíbrio que se encontra nas esculturas de Pablo Picasso é gestual, é falso. Suas esculturas internas não têm nada a ver com a necessidade de ficar em pé. O mesmo se aplica às esculturas de Julio Gonzalez e David Smith. O trabalho com aço – não como elemento pictórico, mas como material estrutural em termos de massa, peso, contrapeso, capacidade de carga, carga pontual, compressão, atrito e estática – foi totalmente dissociado da história da escultura. Teve, porém, uma aplicação direta na história da arquitetura, da tecnologia e da construção industrial. É a lógica de torres, barragens, silos, pontes, arranha-céus e túneis.”

“Estou interessado em que a arte esteja disponível como pensamento para outras pessoas, e quanto mais o autor ou o artista evaporar, melhor.”

“ Na maioria das obras expressionistas há um excesso de presença da personalidade ou persona. Não estou interessado neste tipo de presença do artista. Estou interessado em que a arte esteja disponível como pensamento para outras pessoas, e quanto mais o autor ou o artista evaporar, melhor. (…) A inclusão de elementos esculturais ou desenhos em um determinado contexto torna a pessoa mais consciente do tempo; não o desacelera até um estado de meditação, mas o particulariza através de experiência da obra em seu contexto. Esta percepção do tempo, ou sensação do tempo, que é sempre uma experiência particular e individual, só pode ser realizada através da linguagem da arte. A natureza não consegue, nem o mobiliário, nem o design; a arquitetura, raramente. Estou falando da concentração que se dedica à obra de arte e de como esta concentração é diferente daquela dedicada a outras linguagens.”

*Trechos da palestra dada pelo artista por ocasião de sua exposição no Centro Helio Oiticica em 1997, cortesia de Vanda Klabin. Imagens das obras Tilted Arc e To Encircle… cedidas pela ArqFuturo, organizadora do evento “Diálogos Urbanos” com Richard Serra e Michael Kimmelman, que aconteceu no Rio de Janeiro em 27 de maio. Imagem da obra Courtauld Transparency 3 cedida pelo Instituto Moreira Salles.

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