© Cortesia Galeria Luciana Caravello

DASARTES 23 /

Ricardo Villa

Ricardo Villa é um artista versátil que trabalha com intervenções no espaço urbano como o grafite, e também com a Fotografia, através da experimentação estética.

O paulista Ricardo Villa é artista versátil, opera diversos meios de expressão. Começou com intervenções no espaço urbano através do grafite. Após formar-se em Fotografia atuou como profissional da área e com experimentação estética, fez imagens de imóveis degradados para traçar um paralelo entre ações construtivas e destrutivas no espaço metropolitano.

Nesta edição, enfocamos a mais nova vertente do artista: suas termogravuras. São obras produzidas mediante o uso criativo de uma técnica industrial: a matriz é digital e o computador emula uma máquina a laser que literalmente queima o papel da gravura, produzindo imagens finamente detalhadas. Em virtude do processo utilizado, as gravuras guardam as cores ocres da ação do calor sobre o papel.

O artista desenvolve duas séries de obras desse gênero: uma intitulada ST# e outra batizada como Objetos de Troca, aludindo ao eterno conflito entre o valor imaterial da arte e seu preço no mercado. Ambas as séries foram inspiradas pelos livros de literatura científica do final do século 19 e início do século 20. Tais obras, de estudos sobre a natureza, popularizaram-se pelo caminho do texto apoiado por ilustrações realistas. O que interessa ao artista é, conforme ele afirma, a “intersecção entre a cultura e a natureza, expondo os paradoxos do nosso relacionamento com o mundo natural e o industrial, levantando questões sobre nosso lugar na ordem natural e traçando uma linha entre os processos da natureza e os da cultura”.

Ricardo Villa, no entanto, recusa-se a ver a ação humana como antinatural e defende a “necessidade de pensar a cultura não como negação”, mas como “intensa aspiração de integração com a natureza”. No momento de criar suas matrizes, o artista repensa sua pesquisa – e pode inserir novos signos na imagem ou fazer o velamento de outros. Daí o título da obra aqui reproduzida, em latim: “a arte está em esconder a arte”. Nele se vê uma mão (signo vivo do fazer artístico) reunindo signos que expressam afeto, sacrifícios, viagens, entre outras leituras possíveis. Assim, os trabalhos configuram-se como “um exercício de edição e trucagem de signos, com vistas à formulação de novas possibilidades discursivas”.

Utilizando a linguagem do fogo, elemento que destrói, mas também ilumina, Ricardo Villa mostra a linha de corte entre natureza e cultura. Não para demarcar uma fronteira intransponível, mas para promover uma fusão instigantemente reconciliadora entre os dois territórios.

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