DASARTES 09 /

Revistas de arte: breve panorama

Glória Ferreira fala da importância das publicações

Dado hoje constituinte do meio de arte são as publicações on-line, como sites, blogs, entre outros programas que se somam ao crescimento do campo editorial. Servindo-se das próprias ferramentas da internet, elas associam links visuais, sonoros etc. ao mesmo tempo que permitem ao artista maior controle sobre informações e opiniões veiculadas a respeito de seus trabalhos. Às vezes também com edição impressa, as revistas têm servido de fórum de debates e diálogos de várias ordens.

Na primeira metade do século passado, revistas de grupos de artistas, com formulações estéticas e poéticas, guardavam, de certo modo, caráter de manifesto visando afirmar destinos da arte. Nos anos de 1960-70, com a valorização dos catálogos e livros de artistas, as publicações tornaram-se campo de experimentação poética, com textos de artistas focalizando os problemas inerentes à própria produção e, ao mesmo tempo, espaço de inscrição de trabalhos. Atento-me ao contexto brasileiro, assinalo, dentre muitas outras, Nervo Óptico, em Porto Alegre, Karimbada, em João Pessoa no final dos anos 1970, e, em particular, Navilouca, com edição única e esmerada programação visual; Rex Times, Malasartes, Corpo Estranho e Pólem, que buscaram fomentar a constituição de um espaço produtivo para a arte contemporânea. Com Módulo ou Arte em São Paulo, nos anos de 1980, houve a tendência de privilegiar a crítica de arte no contexto do retorno à pintura. Começaram a surgir, então, as revistas produzidas pelos programas de pós-graduação em arte, sendo pioneira Gávea, iniciada nos anos de1980 na PUC-Rio, com editoria de Carlos Zilio, que priorizou a publicação de estudos desenvolvidos no próprio programa e tradução de ensaios sobre questões históricas e teóricas como material para a formação. Em geral, essa tem sido a linha editorial, entre outras, de Porto, do Instituto de Artes de Porto Alegre; Arte&Ensaios, da EBA-UFRJ; Concinnitas, da Uerj; Poiésis, da UFF; e Ars, da USP. Com distribuição em bancas, algumas vezes também com edição on-line, e, digamos, dificuldades de várias ordens, destacam-se Bravo, com 151 edições, Papel das Artes e a própria Dasartes. Com diferentes formatos e linhas editorias, as revistas publicadas por artistas, como Item, ou por críticos, como Número, do Centro Universitário Maria Antônia, tendem, infelizmente, à curta duração.

Os anos 2000 têm-se caracterizado pela profusão de publicações on-line, como assinalado, e por revistas organizadas em geral por artistas, como Não-lugar, em Belém, e Urbânia, em São Paulo, ou por estudantes das pós-graduações, como Gambiarra, da UFF. No campo da crítica, destacam-se Trópicos, em São Paulo, e Tatuí, em Recife, também com versão on-line.

Enfatizo sobretudo a recente incorporação desses novos veículos ao pensamento e ao fazer artísticos, apesar de as informações ainda serem restritas. Para este sucinto panorama, por exemplo, precisei da ajuda de diversas pessoas, às quais agradeço. Nesse sentido, o projeto Revistas, de Graziela Kunsch, que prevê a digitalização de uma série de revistas de diferentes períodos de arte e arquitetura brasileiras independentes, a ser montado na biblioteca do Centro Cultural São Paulo em virtude da precariedade de nossas bibliotecas, se revela necessário e urgente.

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