Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça

© Nelson Kon

Um dos fatores essenciais para determinar a importância de um prêmio para as artes plásticas é compreender o seu processo. Além do incentivo financeiro, são questões como espaço e assistência para o desenvolvimento do trabalho do artista, alcance do maior número de pessoas e um processo de formação que inclua o artista e seu público que atribuem credibilidade a iniciativa.

Para que isso aconteça é necessária uma equipe capacitada que relacione artista, educadores, consultores, professores, produtores culturais, designers, comunicadores, arquitetos, jornalistas etc. A união de profissionais dessas diversas áreas é o que possibilita um resultado que beneficia o artista e a sociedade. Umas das iniciativas de bastante mérito nesse sentido é o prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para Artes Plásticas. Criado em 2004 com o objetivo de estimular a produção artística brasileira e promovê-la por todo o país, o prêmio é uma homenagem ao galerista responsável pela notoriedade e projeção internacional da arte brasileira na década de 1990.

Em sua 4ª edição (2011-2012), o prêmio, bi-anual, oferece um incentivo de R$ 30 mil a cinco artistas selecionados criteriosamente por curadores e críticos de arte. Durante a seleção, os projetos passam por uma avaliação de dois júris. No primeiro, três curadores analisam e pré-selecionam apenas 30 projetos do contingente de inscritos. Após essa fase, outros três curadores são convidados para eleger os cinco artistas premiados. Segundo a coordenadora do prêmio, Cláudia Ramalho, um dos critérios mais importantes para a escolha do artista está relacionado aos trabalhos que desenvolvam “um olhar de diversidade”.

Os artistas contemplados são acompanhados durante dois anos. No primeiro, é oferecido um período de formação que prevê o acompanhamento exclusivo do processo criativo do artista por um crítico de arte. No segundo, uma exposição itinerante apresenta em vários estados do país os trabalhos dos premiados. A cada exposição um artista é o destaque e, ao final da itinerância, uma de suas obras é doada a um museu público do país, dentro de uma política de formação de acervos.

A escolha das cidades que receberão a exposição itinerante tem como objetivo “ampliar o acesso à arte contemporânea além do eixo Rio-São Paulo”, afirma Cláudia. Antes que a mostra chegue há um processo de formação de professores da região, capacitando-os a orientar os espectadores por meio de visitas educativas.

Após a fase de qualificação, um material educativo é fornecido às escolas para que os conteúdos propostos sejam desenvolvidos em sala de aula. Segundo a coordenadora, essa proposta sócio-educativa, “além de preparar os professores de cada cidade para receber a exposição, faz com que eles modifiquem o seu olhar sobre arte contemporânea, despertando nos alunos grande interesse. Por fim, alguns estudantes acabam por levar seus pais às exposições”. Cláudia afirma ainda que o público dos outros estados sempre recebeu muito bem as exposições, pois há uma carência de iniciativas nessa área fora do eixo Rio-São Paulo, em especial nos estados da região Norte e Centro-Oeste.

A maior dificuldade está na viabilização do projeto. A coordenação das exposições ao longo de um ano é a tarefa mais complicada para a equipe. Muitas vezes, as condições dos espaços escolhidos estão longe de ser ideais, segundo Cláudia Ramalho: “A grande dificuldade é justamente a condição física dos espaços, a falta de equipamentos, o transporte das obras… O processo de montagem da mostra itinerante é, sem dúvida, a etapa mais difícil do prêmio.”

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