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DASARTES 34 /

Paulo Nimer Pjota

Dois jovens artistas cujos olhares vão das cidades ao infinito.

A pintura é o campo artístico ao qual Paulo Nimer Pjota vem se dedicando com mais ênfase e, em cada uma de suas pinturas, ele emite um convite ao debate. Pjota é um cidadão atento à realidade conflituosa das cidades e marca seu posicionamento crítico em relação a isso em seus trabalhos.

O artista adentra o contexto de baixo desenvolvimento de favelas, guetos, tribos e daí importa referências, como a arquitetura vernacular e os traços culturais locais, que funcionam como base na formulação das narrativas que propõe. O improviso das construções, evidenciado pela combinação de materiais que muitas vezes escapam da convenção da alvenaria na constituição das moradas, tem repercussões no seu processo de elaboração do suporte. Chapas de metal que deixam ver rebites e desgastes se somam a sacos de farinha, açúcar e grãos, e também a telas dispostas com premeditada negligência, configurando uma estrutura já impregnada de simbolismo que recebe camadas de tinta às vezes branca, às vezes no tom do rosa ou do azul presente em muitas casas dos locais precários que o artista visita.

A essa estrutura Pjota agrega elementos advindos de múltiplos repertórios, com especial interesse por questões da pauta pós-colonialista, que em muitos casos compõem o espólio sociopolíticocultural das áreas desfavorecidas que investiga. Por trás da escolha de cada elemento, há a observação contumaz do legado de intrincadas histórias de dominação, exploração, guerra e outras situações de violência; e também o reconhecimento da crença, dos costumes, e das manifestações culturais dos grupos envolvidos. Nem sempre os itens são incluídos pela ação do pincel com a tinta. Muitos são fragmentos retirados de diversas fontes, como decalques comprados em bancas de jornal, rótulos, brasões e imagens de livros de anatomia que se reúnem em colagens que desorientam. É que, na verdade, salpicados pela superfície, esses símbolos constroem uma rede heterogênea na qual é possível trafegar por diferentes significados, elaborando novos sentidos a cada articulação de imagens, permitindo a reflexão sobre as heranças históricas ali apontadas.

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