© Sylvia Carolinne

Artista multimídia de grande sucesso, Paulo Bruscky vive em Recife, onde mantém sua impressionante coleção que conta com milhares de peças e ostenta o título de maior coleção particular da América Latina. Com uma coleção que surge mais pela relação com outros artistas do que pelo investimento, Bruscky mostra, nesta seção, esse lado não tão conhecido do público, o de colecionador.

Fale um pouco do perfil de sua coleção.
A minha coleção/arquivo tem um perfil da arte contemporânea do pós-guerra. Segundo levantamento feito pela Universidade Federal de Pernambuco, conta com cerca de 70 mil itens, incluindo obras, documentos e correspondências dos Grupos Fluxus e Gutai, tendo o artista mantido contado com diversos de seus membros e esse acervo ser considerado a maior coleção particular da América Latina. Além dos grupos citados, o acervo possui obras de Joseph Beuys, John Cage, Ken Friedman, Flávio de Carvalho, Vicente do Rego Monteiro, Aloísio Magalhães, Lygia Clark, Dick Higgins,
Carl Andre, Regina Silveira, Vera Chaves Barcellos, Leon Ferrari, Ivan Serpa, Shozo Shimamoto, Saburo Murakami, Regina Vater, Felipe Ehenberg, Artur Barrio, Waltércio Caldas e Alex Vallauri, entre tantos outros, uma vez que estão representados mais de mil artistas de cerca de 50 países.

De quais obras mais gosta?
É uma resposta muito difícil, uma vez que, além do número de artistas, existe no meu arquivo uma representação grande de obras nos mais diversos meios: arte correio, poesia concreta/visual/experimental/sonora, poema/processo, eletrografia, foto linguagem, documentação de performance, scky art, fire art, artdoor, livro de artista, vídeo arte, objetos, projetos/propostas e uma diversificação muito grande de obras conceituais.

Colecionar arte foi uma decisão ou algo que surgiu naturalmente pela relação e troca com outros artistas?
Surgiu em virtude das trocas com outros artistas, desde os anos 1960, por meio do poema/processo, passando pela arte correio até a e-mail art.

Quais foram as primeiras peças de sua coleção?
Poemas/processos, poemas concretos/visuais, além de alguns projetos e propostas.

Costuma comprar obras de arte? Qual foi a última obra que adquiriu e por que a comprou?
Estou sempre comprando obras de artistas que me interessam. As últimas aquisições foram livros de artistas e obras em papel de Waltércio Caldas, Joseph Beuys, Felipe Ehrenberg, David Mayor e Vera Chaves Barcellos.

Você vê sua coleção também como uma forma de investimento ou é puro amor pela arte?
A minha coleção/acervo faz parte da minha vida. Minha obra está integrada em tudo isso.

E de suas próprias obras, há alguma que você não vende e considera parte da sua coleção particular?
Sim, sempre separo obras que têm uma história, principalmente ligada com a censura da ditadura brasileira e a censura estética geral, além da parte afetiva.

Onde o artista e o colecionador se misturam?
É a minha VidArte.

Prefere artistas consagrados ou novos talentos? Há alguma preferência de suportes?
O que me interessa sempre é a obra, independentemente de o artista ser consagrado ou não e de qual suporte ele usa.

Algum artista que gostaria de ter e ainda não tem? De quais obras mais gosta na sua coleção?
Gostaria de um postal veiculado com o selo azul do Yves Klein, de 1956. Não é nem uma questão apenas de gosto, acho importante. Gosto do meu acervo como um todo, como uma instalação.

Quais os planos para o conjunto?
Pretendo transformar esse acervo num centro cultural aberto para pesquisadores, artistas, críticos, estudantes e o público em geral, coisa que já vem acontecendo, embora de forma reservada, há algumas décadas.

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