© Paulo Bruscky, Autum Radium Retratum, 1976

Nascido em Recife, em 1949, Paulo Bruscky é um artista performático pioneiro e multidisciplinar, que sempre empurrou os limites do fazer artístico no Brasil. Uma das principais figuras nas fases iniciais da videoarte e interdisciplinaridade, Bruscky foi um dos primeiros artistas brasileiros a explorar a arte da fotocópia e a arte postal. Organizou a primeira exposição de arte postal no Brasil (em 1976; fechada pela polícia, durante a ditadura) e a primeira exposição de arte de rua (1981). Também criou obras sonoras, que foram transmitidas ao vivo em uma grande estação de rádio, e concebeu muitos outros projetos em “arte-comunicação” com um tom subversivo e utópico. Mantendo um diálogo intenso com o grupo Fluxus, Bruscky também compilou a mais completa coleção de efemeridades Fluxus na América do Sul.

Embora Bruscky esteja na ativa há décadas – desde o início de sua prática na arte postal no 1960 –, seu trabalho só agora está ganhando força fora do Brasil, entre os colecionadores e museus internacionais. Sua visibilidade lá fora foi muito ampliada por suas duas últimas exposições, uma delas sendo sua primeira exposição temática nos EUA. Paulo Bruscky: art is our last hope (2014), com curadoria de Dr. Antonio Sergio Bessa para o Bronx Museum de Nova York, incluiu 140 obras entre esculturas, registros de performance, arte postal e fotografia, feitas entre 1971 e 2011. A outra foi a poderosa coletiva Under the same sun: art from Latin America today, com curadoria de Pablo León de la Barra para o Museu Guggenheim, em 2014.

Em certo sentido, o mundo da arte internacional alcançou Bruscky. Seu trabalho oferece uma chave para entender linguagens artísticas híbridas de hoje. Claramente, as novas gerações de artistas, incluindo Berna Reale, Maurício Ianês, Paulo Nazareth e Priscila Rezende, foram influenciadas pelas obras meio grunge, de inflexão política e social de Bruscky, que formam um quadro conceitual e tático poderoso e cada vez mais relevante. Como resultado de décadas de trabalho brincalhão, reflexivo, misterioso e oportuno, a hora de Paulo Bruscky é agora.

Paulo Bruscky é representado pela Galeria Amparo 60 de Recife e Galeria Nara Roesler de São Paulo. Exposições individuais mais recentes incluem Art is our last hope (Bronx Museum, 2013); Paulo Bruscky (Plataforma Bogotá, Bogotá, Colômbia, 2013); Banco de Ideias (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2012). Participou de quatro edições da Bienal de São Paulo e suas obras integram as coleções do MoMA de Nova Iorque, Guggenheim, Tate e Stedelijk Museum, de Amsterdã.

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