O Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC de Niterói – fica em frente ao aeroporto Santos Dumont, onde, na década de 1960, o pai da artista Suzana Queiroga deveria fazer um pouso, que nunca aconteceu. Na época em que o acidente aéreo causou a morte do pai dela na baía de Guanabara, a artista estava no ventre da mãe. E foi exatamente neste museu, e buscando essas memórias afetivas – junto a arquivos como matérias do jornal, cartas de amor, diários e telegramas –, que a artista deu corpo e cor à exposição Olhos d’Água.

Contemplada com o 5.º Prêmio de Artes Marcantonio Vilaça – MINC – Funarte, na mostra com curadoria de Guilherme Vergara, Queiroga apresentou uma grande escultura inflável (doada ao acervo do museu), além de desenhos, vídeos e uma pintura, todos inéditos.

Tendo o pai como uma influência artística – ela começou a pintar após o contato com um quadro feito por ele, que descobriu aos quatro anos –, a artista diz que “a localização do museu foi essencial para esse projeto. Lido com essas memórias simbolicamente, o despedaçamento e a dissolução do corpo no mar, o fado, a espera de quem jamais virá. É um contato cada vez maior que faço com minha origem portuguesa. Aos poucos, conheço esse homem com uma memória construída no hoje, o que talvez revestirá, com algum tipo de membrana, esse buraco enorme que sempre senti dentro do peito”. O trabalho segue com a pesquisa recente da artista, que tem estado profundamente relacionada a uma paleta de azuis em conjunto com os infláveis com os quais trabalha, numa ampliação dos limites da pintura, há dez anos.

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