© The Dakis Joannou Collection, Athens

Anteriormente, o New Museum era decididamente “central”, democrático e um pouco rebelde, um mundo à parte dos arredores exclusivos, majestáticos do MoMA, com um programa de curadoria distante da moda então em voga. Mostrava artistas relativamente desconhecidos, artistas mulheres, negros e aqueles cujas obras eram politicamente provocativas ou desafiavam o consumo fácil das galerias comerciais. No meu tempo de aluno, era um lugar com o qual eu contava para ver novas obras com um traço transgressor.

Em 2007, o New Museum foi transferido para seu novo prédio na Bowery, idealizado por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, da SANAA Ltda. Local anteriormente ocupado por indústrias, ambulantes e o infame clube punk CBGB, a Bowery é agora marcada por uma arquitetura “de manifesto”, construída por hoteleiros, pela elitista escola de arte Cooper Union, e agora, o New Museum. Como um grito de vitória, ele instalou Hell Yes! em sua marquise – instalação de Ugo Rondinone com letras nas cores do arco-íris. Desde a sua ida para o novo endereço, a maioria de suas exposições são profissionais, caras e facilmente palatáveis para apreciadores de arte, acostumados a galerias comerciais cheias de telas bem acabadas. No calendário, um extenso programa educacional, o qual inclui diversos workshops, palestras, encontros com artistas, festas e visitas guiadas, com uma ou outra dessas atividades ocorrendo quase todos os dias. Fundamentalmente, passaram da condição de anti-establishment para a de novo-establishment, enquanto mantiveram parte de seu DNA rebelde.

Para a exibição atual, Skin Fruit (Casca da Fruta), o artista pop Jeff Koons selecionou trabalhos de cinquenta artistas da coleção de Dakis Joannou, fundador da Deste Foundation for Contemporary Art, de Atenas. A mostra, cheia de grandes e imponentes deuses, deusas adornadas com joias e até mesmo um casal neandertal hiper-realista, alcança um apelo universal por meio de representações da forma humana saturada com sexo, dor, perda e espiritualidade. É rico como espetáculo, mas não lhe falta profundidade, e transpira verdadeira alegria e afirmação da vida.

Neste verão, haverá exposições de Rivane Neuenschwander (junho) e Brion Gysin (julho). Os filmes, esculturas e ações participativas de Neuenschwander fazem uso de materiais simples (máquinas de escrever, ventiladores, formigas…) que combinam entre si, em uma ordem sutil, imprevisível, mas alegre. Bryon Gysin (1916-1986) era um ex-surrealista, mestre da caligrafia e colagem, ocultista e grande astro em um grande círculo de escritores, artistas e músicos em Nova Iorque, Londres e Paris. Sempre foi uma personagem periférica, mas, não obstante, uma pessoa de grande influência para múltiplas gerações de artistas. O New Museum certamente terá uma grande temporada, e estarei observando de perto para ver como suas escolhas curatórias se baseiam ou divergem de sua história como pioneiro e marginal.

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