© Tate, London 2012

DASARTES 19 /

O legado do expressionismo freudiano

Mostra em Londres reúne o melhor da relação entre personagens e artista.

Entre 9 de fevereiro e 27 de maio de 2012 acontece em Londres uma das mais aguardadas exposições do calendário de arte britânico de 2012: Lucien Freud Portraits, na National Portrait Gallery, reúne mais de cem pinturas e trabalhos em papel desenvolvidos por Lucien Freud, um dos mais importantes nomes do expressionismo figurativo. O visitante poderá conferir obras de diferentes períodos de sua carreira, que durou quase 70 anos e começou logo após a Segunda Guerra Mundial. Os trabalhos que fazem parte da exposição foram trazidos tanto de coleções privadas como também de renomados museus ao redor do mundo, como Tate, MoMA, Thyssen-Bornemisza, Madrid, British Council e o Art Institute of Chicago, entre outros.

A exposição envolveu um planejamento longo, numa parceria entre a galeria e o próprio artista. Lucien Freud morreu em julho aos 88 anos, em Londres, e seu último trabalho, Portrait of the Hound 2011, será um dos destaques da exposição. Inédito aos olhos de público e crítica, é apontado como um dos mais importantes retratos da carreira do artista, que se dedicou a ele até pouco antes de morrer – o público poderá finalmente conferir o aguardado nu inacabado do assistente de Lucien Freud, David Dawson, ao lado do seu cachorro Eli.

Organizada em períodos, a mostra pretende apresentar os quadros com os mais diversos personagens que posavam para o artista, além de explicar ao público um pouco mais sobre seus reconhecidos estudos sobre a relação personagem-artista. Entre os retratados por ele estão membros de sua família, principalmente sua mãe, Lucie, além de figuras mundialmente conhecidas, como Frank Auerbach, Francis Bacon, Michael Andrews, John Minton e David Hockney. Descritos por Freud como “pessoas na minha vida”, essa série de retratos foi selecionada pela curadoria da mostra como uma forma de provocar um olhar mais acurado sobre a intensidade do trabalho de Lucien Freud.

Em 2002, o artista recebeu uma encomenda importante: pintar um retrato da rainha Elizabeth II, trabalho que dividiu a opinião dos críticos à época. Muitos consideraram o retrato severo em seu naturalismo. Freud também registrou em suas telas rostos como o do fotógrafo Harry Diamond, de Deborah Dowager e da Duquesa de Devonshire, entre diversas outras personalidades cujos retratos estarão expostos na National Portrait Gallery. A exposição também pretende destacar a importância do auto-retrato, que é uma aposta recorrente do trabalho de Freud desde seus primeiros trabalhos.

O artista, membro da chamada Escola Inglesa, era reconhecido por abusar da teimosia ao se recusar a seguir as tendências do mundo da arte. Insistiu em pintar com o seu próprio estilo e abusou do realismo mesmo quando essa técnica não era a mais esperada pelos críticos e colecionadores de arte. Com essa atitude, Lucien Freud desenvolveu um estilo único e angariou reconhecimento internacional como um dos mais importantes pintores do século 20. Por sua obra impactante e, por vezes, perturbadora, conseguia captar como poucos a expressão do homem contemporâneo em trabalhos que se baseavam na observação do objeto retratado, o que também se tornou uma de suas características mais marcantes.

Nascido em Berlim, na Alemanha, Lucien Freud, era neto do austríaco Sigmund Freud, fundador da psicanálise. Naturalizou-se britânico em 1939, poucos anos depois de, aos dez anos, desembarcar na Inglaterra com a sua família judia, fugindo do regime nazista. Foi nessa época que descobriu a paixão pelo desenho; aos 21 anos seu talento já começava a ser notado no meio artístico. Sua carreira durou mais de cinquenta anos, tornando o artista mais conhecido no mundo das artes por seus retratos nus.

O pintor realista viu, nos últimos anos de sua vida, o valor de seu trabalho crescer significativamente. Em 2008, por exemplo, um de seus retratos mais famosos, o de uma mulher obesa em um sofá, Benefits supervisor sleeping, foi vendido em um leilão por cerda de US$ 33 milhões – quantia esta que representou um recorde como o maior valor já pago pelo trabalho de um artista ainda vivo. Nas suas últimas décadas de vida, era frequentemente visto em bares e restaurantes de Londres, cidade em que passou a maior parte de sua vida, em companhia de mulheres famosas e bonitas – entre elas a modelo britânica Kate Moss, personagem de um de seus quadros.

Para o diretor da National Portrait Gallery, Sandy Nairne, a exposição é motivo de orgulho: “Estamos orgulhosos de trazer tantos trabalhos maravilhosos criados por um dos maiores artistas de nosso tempo. Lucien Freud pintou pessoas com um brilhantismo curioso”, afirmou. A exposição fica na capital inglesa até o dia 27 de maio de 2012 e depois segue para o Modern Art Museum of Fort Worth (Texas, Estados Unidos), onde poderá ser vista entre os dias 2 de julho e 28 de outubro de 2012.

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