O Brasil nas coleções internacionais

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Os mais importantes eventos do calendário de arte contemporânea internacional recentemente confirmam uma tendência ascendente no mercado das artes – a importância da arte latino-americana e o reconhecimento de polos como São Paulo, Lima e Bogotá no circuito internacional das artes. Dentre esses, o Brasil se destaca, não somente pelo poder aquisitivo dos colecionadores que agora circulam mais livremente pelas feiras e bienais ao redor do mundo, mas principalmente pela qualidade da produção artística proveniente das diversas regiões do país.

De fato, o interesse internacional na arte brasileira vem se solidificando nos últimos dez anos, impulsionado principalmente pelos esforços de galerias e curadores brasileiros e estrangeiros em promover a arte brasileira no circuito internacional. Além disso, a mobilidade contemporânea permite que um maior número de artistas e profissionais do meio das artes participem de residências no exterior, gerando um intercâmbio interessante para a produção e expondo assim a arte nacional a um maior e diverso número de pessoas. Nas feiras, bienais e exposições ao redor do mundo, o Brasil está cada dia mais deixando o seu registro. A Bienal de Istambul, cuja nova edição terá curadoria de Adriano Pedrosa, é um exemplo disso.

Além disso, exposições individuais como a retrospectiva de Hélio Oiticica e Cildo Meireles na Tate Modern em 2006 e 2008, a de Beatriz Milhazes na Fundação Cartier no ano passado e, mais recentemente, a de Rivane Neuenschwander no New Museum de Nova Iorque tiveram uma grande importância de conscientizar e sensibilizar o público internacional sobre a arte brasileira.

De fato, vale ressaltar que apenas recentemente foram criados comitês especializados em arte latino-americana nas grandes instituições internacionais, começando pela Tate Modern há oito anos atrás. Atualmente, o MoMA de Nova Iorque, assim como o Centro George Pompidou em Paris, também têm um time de profissionais especializado em arte da região, não apenas lidando com questões curatoriais, mas tratando também e principalmente de adquirir obras significativas dessa região para o acervo da coleção. Assim, obras como Tropicália, Penetrables PN 2 “Purity Is a Myth”, de Hélio Oticica, encontram-se disponíveis ao público na Galeria da Tate Modern. E obras como de Alexandre da Cunha, Marepe, Iran do Espírito Santo e Nelson Leirner, entre outros, estão nos acervos das mais renomadas instituições. E a tendência continua: apenas neste ano, a Tate Modern adquiriu oito obras de artistas latino-americanos.

Um outro grande promotor da arte brasileira são as bienais ao redor do mundo. A obra de Beatriz Milhazes no pavilhão do Brasil em 2003 foi um passo para a projeção da artista. Mais recentemente, durante o período da abertura da última Bienal de São Paulo, era difícil não esbarrar com os mais poderosos nomes do mundo das artes, que circulavam pela cidade. Entre eles, o curador Hans Ulrich e o diretor da Tate Modern, Sir Nicholas Serotas.

Mas são nas feiras de arte e leilões que os negócios são feitos, e onde a validade deste mercado em ebulição fica exposta e acessível ao público. De acordo com a ArtTactic, o valor total das vendas de arte latino-americana aumentou de US$ 411 mil em 2003, para US$ 2,49 milhões em 2008. De acordo com a Sotheby’s, 50% dos colecionadores são provenientes dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Nesse mesmo período, o volume de transações de arte brasileira cresceu 460%.

Nomes como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Vik Muniz, Hélio Oiticica e Cildo Meireles lideram o mercado, demonstrando uma preferência para artistas da geração dos anos 1980, assim como dos anos 1960. E a tendência continua: em abril deste ano, a casa de leilão Phillips de Pury realizou um leilão de obras brasileiras em que a obra Bicho, de Lygia Clark, atingiu o valor de US$ 580 mil, um recorde para a artista.

Mas o interesse na arte brasileira não se limita a artistas desses períodos; artistas jovens brasileiros também têm chamado cada vez mais a atenção do público internacional, com presença nas maiores galerias de arte ao redor do mundo, que representam suas obras. Entre eles, está Alexandre da Cunha, representado pela galeria Vilma Gold, e Tiago Carneiro da Cunha, na Galeria Kate McGarry.

Na feira de arte Frieze deste ano, enquanto muitas galerias festejavam o sucesso de vendas na abertura, a presença latino-americana era um papo comum nos estandes. Sete galerias da região estavam presentes na feira, e a maioria delas com um grande sucesso de vendas. Além disso, conceituadas galerias internacionais, como Pilar Corrias, apresentavam obras de artistas brasileiros, como Tunga.

De fato, enquanto o mercado de arte internacional se recupera após a crise financeira que afetou a economia mundial, o mercado de arte brasileiro apresenta sinais de crescimento e ebulição de dar inveja a muitas regiões, que, em um passado não muito remoto, apresentavam um cenário de arte vibrante e excitante, agora evidente e celebrado no cenário brasileiro.

Alessandra Modiano é consultora de arte e colaboradora freelance em Londres.

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