© Vicente de Mello

George Kornis e sua esposa Mônica são talvez os maiores colecionadores de gravura do Brasil. São mais de 700 obras em sua coleção, quase todas impressões de artistas brasileiros e internacionais. Um pequeno recorte desta coleção pode ser visto em recente exposição na Caixa Cultural em 2011, mas ela continua crescendo tanto quanto o interesse e o conhecimento de George sobre o tema, tornando-o uma das principais fonte de consulta sobre o assunto gravura no Brasil.

Quais as primeiras obra que comprou?

Xilogravuras do Roberto Magalhães e Isa Aderne, discípula do Goeldi, uma litogravura do Rubens Gerchman, um desenho do Barrio, uma água-forte do Grassman.

 

Porque estas obras?

A idéia era ser sempre muito seletivo, pois os meus recursos eram modestos e o meu interesse muito amplo. Seleção e informação sólida foram sempre o meu caminho.

 

E as últimas obra que comprou?

Uma linda litogravura do Antoni Tapiés, xilos muito especiais de Yolanda Mohalyi e Hansen, um raro metal do Frederico Nasser e outro muito especial do Piza e uma rara gravura, talvez única, do colecionador Raimundo de Castro Maya.

 

Como surgiu seu interesse pela gravura?

Meu interesse por literatura, cinema e artes plásticas se afirmou ainda na adolescência, nos anos 1960. Nos anos 1970, quando eu já era um estudante universitário, fui me interessar pela gravura. Comecei pela leitura, pelo conhecimento dos grandes mestres e das diferentes técnicas, avancei pelo estudo da linguagem e das suas possibilidades de circulação ampliada ou, se preferir , pelo o que Walter Benjamin chamou de reprodutibilidade técnica. Nossa coleção começou pela formação e leitura de uma biblioteca especializada em história da arte e de gravura em particular. Só depois é que ela foi ocupando as paredes, a s gavetas e todo o espaço possível.

 

Qual seu artista predileto?

São muitos: Dürer, Rembrant e Goya para começar; a seguir os xilogravadores japoneses como Hiroshige e Hokusai; os expressionistas alemães como Smith-Rotluff, Kirchner, Nolde, Barlach são artistas fabulosos; os expressionistas brasileiros como Goeldi ,Segall e Abramo e tantos outros; os expressionistas abstratos nacionais e internacionais; a pop inglesa e norte americana e seus adeptos da nova figuração; os abstratos geométricos nacionais e internacionais na sua ampla diversidade ; os grandes xilógrafos do cordel brasileiro. Creio que seria mais fácil dizer do que não gostamos; do decorativismo estéril, dos diluidores de todas as categorias, das facilidades e maneirismos vulgares etc.

 

Dentro da gravura, você tem uma técnica predileta?

A gravura em metal reúne um conjunto vasto de possibilidades técnicas e isto pode gerar uma ampla qualidade expressiva. No entanto, a xilogravura é mais sintética e intensa enquanto meio de expressão em arte.

Alem da gravura, qual outro suporte te atrai?

O desenho. Afinal, ele é o fundamento de toda a linguagem visual.

Como você enxerga o futuro da sua coleção?

Somos todos finitos. Portanto ela deve continuar sua trajetória para além das nossas vidas. Assim o desafio agora é preparar a sua institucionalização. Temos uma pressa mais ou menos serena.

Qual sua obra de arte dos sonhos, aquela que você gostaria de ter mas sabe que está fora do alcance?

Never say never. Quem sabe dá uma sorte e elas aparecem pedindo para entrar na coleção?

 

E uma obra que você ainda quer ter?

Elas são muitas. E o silencio é um aliado importante.

 

Comparando a gravura brasileira á internacional, acha que nossos artistas estão bem posicionados?

A gravura brasileira tem uma história curta se comparada à da Europa. Nessa perspectiva, ela foi consistente nos anos 1950 e 1960, mas depois passou por um longo período de letargia. Nas ultimas décadas ela retoma a sua potencia e esse fato é quase desconhecido no Brasil.

 

Existe uma escola de gravura brasileira?

A gravura produzida no Brasil é muito plural. Essa é a sua maior qualidade. A pluralidade estética se soma à diversidade espacial. E a informação disponível ainda é muito limitada.

 

Como você define sua personalidade como colecionador?

Nós somos colecionadores lastreados em um projeto de pesquisa de longo prazo. Colecionamos, com recursos materiais limitados, há quatro décadas. No entanto, não temos limitações intelectuais; aprendemos sempre. E , d

Compartilhar: