© Rossana Magri

Hamlet já advertira Horácio sobre o muito que há no céu e na terra que nossos esforços filosóficos não alcançam. Céu e terra são certamente termos e espaços de vastidão semântica que servem a diferentes propósitos, e Mayana Redin tem um pé em cada um desses territórios quando se trata de sua produção artística. Deixemos claro, entretanto, que ela se afasta de uma abordagem romântica ou metafísica: a artista, na verdade, volta sua atenção para aspectos geográficos e astronômicos.

Em sua pesquisa, ela se debruça sobre noções como as de infinito e intervalo, reelaborando-as a partir do contexto do mapeamento de corpos estelares que resultam na forma simbólica e ficcional dos desenhos das constelações. Os diferentes astros e suas dinâmicas lhe despertam interesse desde a infância, mas Mayana é “muito terrena” – assume-se, fundando um pretenso paradoxo. Pretenso porque, em seu processo, esses repertórios se tangenciam e se imbricam, não se opõem ou contradizem.

Essas questões são exploradas pela artista em múltiplos meios e, às vezes, de modo imprevisto, como no caso do inseto que, de repente, invadiu seu espaço de trabalho e, tal como a Terra faz em relação ao sol, pôs-se num movimento de translação em torno da lâmpada na luminária cônica. O flagra foi registrado e gerou o vídeo Órbita. A produção se inclina para o aspecto terreno, contudo, em trabalhos como as séries Geografia de encontros e A ruína, nas quais a artista promove uma reconfiguração imagética por meio da transformação conceitual de representações como a de países e acidentes geográficos na cartografia oficial, e de distintos pontos turísticos que figuram em cartões postais antigos.

Já em Cosmografia para Rio de Janeiro e Belo Horizonte, seus trabalhos mais recentes, os dois territórios se alinham na constituição de uma ficção urbano-celeste. A partir de nomes inspirados no repertório cosmológico, a artista traçou constelações que agrupam edifícios pela sua localização em tais cidades. Na apresentação dessa obra, letreiros que reproduzem a tipografia quase sempre retrô da identificação dos edifícios são distribuídos nas salas de exposição, materializando as constelações em uma confluência de projeções de espaços. Para saber mais sobre o trabalho da artista, visite http://mayanaredin.blogspot.com.br

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